O dia em que um selinho me fez feliz!

Às vezes um selinho pode ser tudo na vida de uma moça! Minha adolescência foi recheada de problemas da minha parte: eu sempre fui pequena, era bem cdfzinha no colégio, fazia o gênero madre Teresa de Calcutá, e, como conseqüência, todos os meninos me viam como uma boneca frágil, inteligentezinha e, pior: SÓ AMIGA!!!! Gente, é claro que é bom ter amigos, mas não é nada bom ser vista SOMENTE como amiga, ainda mais na adolescência, quando os hormônios fervilham, os meninos começam a desenvolver a aborigenice e só gostam das meninas ão: peitão, bundão, coxão… E eu, que sempre fui uma menina inha, sofria nessa condição e me retraía cada vez mais. E, para piorar, eu era apaixonada desde os 8 anos (Sim, na minha cabeça, mesmo um amor platônico deveria ser fidelíssimo!!!!!!) pelo menino mais popular (só para não ser diferente, a gente sempre gosta dos populares…) e mais legal de todos. Ele era gente boa, engraçado, bonitíssimo, fazia um estilo bad, mas com jeito meigo. Além disso, ele sempre foi um artista. E me tratava como uma irmãzinha… GGRRRRRRRRR, que raiva, quem disse que eu queria ser amiguinha daquela encarnação adolescente e ainda púbere de Apolo? Bom, o pior aconteceu, ele se apaixonou e namorou minha melhor amiga da 6ª série, eu acabei saindo daquele colégio, mas hoje em dia tenho duas certezas: ele não me quis porque eu sou pequena, e uso óculos, mas ele é lindo e divino e eu ainda vou reencontrar com ele.

Anos se passaram e os hormônios, graças à Deus, continuaram a fervilhar. Eu cresci (um pouquinho!!!), tirei os óculos, que podem cair bem em outras pessoas, mas não caíam em mim; comecei a trabalhar, e, é claro, o tempo me deixou menos tímida e menos estilo CDF. Tenho verdadeiro horror de ser sempre muito boazinha, por isso, aprendi a selecionar os alvos de minhas bondades. E ele se tornou um artista plástico, muito sensível, e ainda muito muito bonito. E nós, um belo dia nos reencontramos. Numa festa de reencontro da galera do colégio. E, é claro, que esse reencontro foi recheado de expectativas da minha parte: será que ele vai me achar bonita? Será que vai rolar um amor à primeira vista? Será? Será? Porque por mais que o tempo tenha passado e eu tivesse tido outras experiências e paixonites, ele ainda estava na minha memória como o menino lindo e divino que não me quis.

Na verdade, nada disso aconteceu. Porque na hora que eu olhei para ele, tudo voltou: a cara de boazinha, as lembranças… E o resultado: claro que nada do que tinha esperado aconteceu. Porque, na boa, é sempre assim: quando a gente espera demais, as coisas nunca saem como imaginamos.

Mantivemos um contato telefônico e eis que numa noite, quando eu menos esperava, recebi uma ligação do fofo e saímos para a balada.

Queria ver a galera, e aquela história da paixonite adolescente e do último reencontro estavam numa gaveta fechada da minha memória. E lá fui eu… A noite foi ótima, modéstia a parte eu estava bonita, mas o mais importante é que eu estou de bem comigo mesma, feliz… E nós, eu e ele, conversamos, é claro: nossas vidas, os velhos tempos, a noiva dele (sim, ele está noivo)…

Até que eu percebi que rolava uma atenção maior da parte dele comigo. Ele estava muito carinhoso, a gente se abraçou bastante (eu adoro abraços!).

Abraços bons aconchegantes e, surprise! Nada de abraço amiguinho-amiguinha.

Também não foram abraços de pau, mas foram sim, abraços mais chegados. Eu me senti muito feliz. Não iam rolar uns beijos, ele é fiel, e eu não demonstrei nesse sentido, e nem queria (já imaginaram, que desastre beijar ELE, só que sabendo que seria só aquele dia, pois ele tem compromisso? Seria péssimo!)Só que, eis que na hora da despedida, ele me dá o abraço mais maravilhoso da minha vida: longo, intenso, forte, gostoso. Eu na bochecha fofa e agora barbada. E, na hora do tchau definitivo, ele me dá um selinho. Rápido, daqueles que nos deixam meio na dúvida: foi ou não foi? Não foi um selinho descarado, foi algo mais sutil, mas que ainda me fez sentir a boca que eu tanto sonhei em beijar na adolescência, motivo de tantas noites mal-dormidas. Foi um beijo rápido e adolescente que me deixou muito feliz: ele não me vê mais como a bonequinha amiguinha. Pelos abraços que nós demos, pelo fast selinho da despedida, eu cheguei à conclusão que consegui o que queria, mas sem esperar. Sim, ele viu que eu sou uma mulher.

Podem me criticar, falar que eu me contento com pouco, que ele nem é tudo isso, que eu era ou sou uma complexada, mas sim, esse selinho me fez feliz.

Se ele foi covarde? Não sei. Se foi algo proposital? Também não sei. Se ele é meio sacana? Eu não acho… Foi algo bem momentâneo, que em nada vai atrapalhar a vida dele. Nem a minha. Só que a partir lembrarei desse dia meio rito de passagem, que aconteceu tarde, mas “aconteceu!”

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