Esporte espetacular

Diários de uma menina que odeia malhar… e entrou na academia!Eu odeio ginástica em academia. E acabei de me matricular em uma: vou fazer musculação e aula de ginástica. Chocados? Eu também! Bem, tudo começou quando a minha irmã (e roomate) chegou toda serelepe em nosso lar dizendo que tinha se matriculado na academia da esquina. E começou a freqüentá-la! Chegou até a deixar um recado na secretária eletrônica assim: Gente, fui malhar e volto já!. E com o inimigo em casa… eu me rendi. Quando percebi, já estava com duas fotos três por quatro na mão. E o pior: já tinha me matriculado. ”

Primeiro Dia

É o dia da avaliação funcional. O horário mais tarde era oito e meia da manhã. E eu sou fundadora do movimento Garotas Zumbis. Tem nada não. Coloquei três despertadores e acordei várias vezes durante a noite tensa, com medo de perder a tal avaliação. Afinal, se eu não fosse teria que pagar uma taxa horrível, segundo a mulher da secretaria. Acordei às sete, às sete e meia…. e de repente quando vi: TINHA PERDIDO A HORA! Levantei correndo da cama, mas eu tinha dormido em cima da minha perna, estava com uma câimbra. Então, quando eu me levantei correndo e pisei com a perna, cai no chão. Fiquei lá estirada choramingando enquanto minha irmã me dava palavras de incentivo do tipo: Vá, não desista amiga!!  Me senti aquela maratonista da Olimpíada que chegou mancando e mesmo assim completou a prova…

Dez minutos depois, meio em jejum e com cara de sono, eu entrava na academia para a tal avaliação. Diz a professora:

– Desde quando você está parada?
Pensei em dizer há dez anos, mas achei que ia ser um pouco forte. Então disse:
– Faz tempo. Mas eu ando de bicicleta.

Ela riu na minha cara. Deve ter pensando algo do estilo esses sedentários vem com esse truquinho da bicicleta…. Nesse golpe eu não caio mais. Me senti um pouco humilhada, porque eu achava que andar de bicicleta era exercício. E realmente eu ando de bike. Mas preferi não causar polêmica. E ela foi tirar minhas medidas…

Tá, vamos pular essa parte. Eu não vou falar as minhas medidas, isso só diz respeito a mim e aos meus entes queridos. Depois mandou eu ficar fazendo abdominais e eu fiz vários e consegui ficar na categoria Bom.  Iça! (É só se matricular para você começar a usar esse tipo de vocabulário). Tive que mostrar o quanto era alongada… E aí chegou a pior parte: o meu percentual de gordura. Já tinha ouvido falar nisso…

É uma coisa horrível. Ela pega tipo uma mega pinça com um medidor e mede o seu PNEU. Isso mesmo. Sabe quando você pega aquele ladinho da barriga e diz estou gorda? e todas as sua amigas dizem: Eu também tenho, isso é normal… . Pois é, neste exame que chama não-sei-o-que-lá-pollock, a mulher verifica algo que você já sabia (você tem uma gordurinha sobrando) e informa o que você também já sabia: você precisa emagrecer.  E ela não é omissa  como as suas amigas e não diz que isso é normal. No meu caso, ela faz um olhar tipo tsc tsc. e ainda disse que graças ao bom Jesus cristinho eu tinha resolvido que era hora de mudar!

Obviamente,  ela não te chama de gorda na cara dura. Para te chamar de gorda, ela faz valer todo o diploma de educação física. Fala sobre o metabolismo, a gordura magra e a gordura gorda.. Não… é o peso magro e o peso gordo….Enfim, ela falando isso e eu em jejum, meio que viajando e a minha pressão meio que baixando…. E daí no final de tanta explicação.. Ele te joga na cara que você tá gorda.

É, eu estou gorda apesar dos meus 51 quilos. É o fim.

Segundo dia

Claro que essa coisa de avaliação não contou como ginástica. Então, no dia seguinte tenho que ir na salinha da musculação no horário marcado. Claro que chego atrasada de novo e o professor semi-ogro mas simpático já marcou falta. Mas dá para voltar atrás e ele vai marcar para mim a famosa SÉRIE, com base na avaliação do dia seguinte. Isto é, de que eu estou gorda…

De novo, ele pergunta o que eu faço. Falo de novo  que ando de bicicleta. Mas desta vez (malandramente) sou mais enfática. Encho a boca para falar, como se fosse campeã carioca de ciclismo. Ele pergunta com que freqüência e eu – claro – minto descaradamente. Afinal, ninguém vai me tratar como uma sedentária! Ele pergunta com que freqüência eu pretendo ir na academia. E como se eu estivesse possuída por uma outra pessoa, digo: Musculação às segundas, quartas e sextas e ginásticas às terças e quintas.  Eu estou louca!

Vamos para a esteira rolante e ele – que até o momento parecia um sujeito legal inclusive porque não mostrou desdém pela bike – cai no meu conceito. Fala que o meu tênis não é apropriado para a ginástica… COMO ASSIM, MEU FILHINHO? Será que eu terei que explicar para ele que o meu tênis luxuoso da Nike é disputado a tapa pelos modernos? Que mesmo pessoas que batem perna em Nova York não conseguem comprar e dizem que tem inveja boa de mim por causa do tênis? E que eu sou parada na rua para receber elogios?! E mesmo assim,  ele diz que o tênis não serve! Que é para comprar um igual ao dele (que é um tênis FEIO pra chuchu!). Resolvo ficar quieta. Tudo bem,  ele me deu a desculpa perfeita para eu comprar um tênis novo. Que beleza!

Ele me larga na esteira enquanto eu fico vendo Bambaluá na televisão da academia. Depois, as malditas séries.. Realmente, é horrível. Mas eu quero me livrar do meu peso gordo de qualquer maneira! Mesmo que a maneira seja fazendo exercícios ridículos em aparelhos bizarros, Um problema: alguns aparelhos não são feitos para pessoas do meu tamanho. Mesmo assim, ele dá um jeito! Consegui fazer vários e me senti a Jane Fonda! Inclusive fiz exercícios para a panturrilha. Mas o momento ápice ainda estaria por vir… ”

Foi quando o professor ogro explicou que, entre uma série e outra, eu devia descansar um minuto. E aí, ele me explicou como eu deveria contar um minuto. Não, não era um método novo e esquisito. Palavras do próprio.

Você fica olhando para o relógio, e quando o ponteiro vermelho der a volta e chegar no ponto em que estava quando você começou a contar, é um minuto!.

Juro pela minha alma mortinha que ele disse exatamente isso. Fiquei olhando meio sem entender. Gente estranha. E no final, ainda tive o azar de encontrar com um casal amigo meu, que ficou rindo de mim, pois eu estava fazendo musculação e isso depunha contra a minha pessoa. Mas a garota me deu um bom conselhoL: o único jeito de conseguir ir na aula era cantar o mantra: musculação é ótimo, musculação é ótimo. Senão, seria algo próximo da tortura.

Mas o melhor de tudo foi quando eu voltei para casa….E a minha irmã – a malhadora – ainda estava dormindo. (Sim, pois eu fui malhar cedo!) E eu fui acordá-la, toda metida a sarada. A chamei de sedentária. A vingança tarda mais não falha! E sai do quarto cantando aquela música da Olívia Newton John. Physical… physical..

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