Os meus ídolos são gays…

Nosso colunista relata essa descoberta e revela que era presidente do Movimento Anti-Menudo!
Nesse mundo de hoje, temos que estar preparados para tudo:  Um dia o World Trade Center está lá, no outro, já não está mais. Um dia você vê seu idolo fazendo vociferando palavras de ordem contra o sistema e no outro ele está no maior fervo no vestido de rainha intergaláctica do amor em cima do carro abre alas da Love Parade.
(Bom, um aparte rápido – antes que me chamem de homofóbico, saibam que eu tenho mais amigos gays que a Madonna e tenho um carinho descomunal por eles, portanto me economizem de qualquer mail politicamente correto. Muito agradecido.)
Como eu ia dizendo, várias pessoas da minha geração já passaram por isso.  Eu mesmo ficava sacaneando meus amigos que gostavam de Spandau Ballet, Michael Jackson ou qualquer outra coisa que estivesse na moda enquanto ostentava uma camisa do Cólera ou do Dead Kenedys. Isso dava uma moral do caralho, tipo “”eu não me identifico com essas merdas, gosto de som de homem!””e ainda completava com um  porra bem grosso e soltando perdigotos!
E eu ia nos shows e ficava pogando, saia todo ferrado do mosh! Porque nós acrditavamos num ideal que era defendido de forma viril e pungente por aquele sujeito em cima do palco. Na verdade era divertido mesmo, as vezes nem entedia o que o cara estava cantando, mas caráter engajado naquilo tudo. Não só ali na hora do show como na vida! Aquilo era o combustivel para a maquina que formatava sua personalidade. Uma espécie de ideal  pra defender, enfim toda aquela babaquice idólatra. Afinal, nós eramos moleques… (N.E.Essa desculpa é tipo aquele pretinho básico que cai bem em qualquer ocasião! )
Mas o mundo te ensina que não é bem assim que banda toca!
Minha primeira decepção foi com a Legião Urbana. Eu gostava do Renato Russo e achava que ele tinha peito pra cantar aquelas músicas do primeiro disco. O cara vinha de Brasília e transitava no meio dos punks. Era supostamente um cara brabo.  Daí um dia eu fugi da aula pra ir na gravação de um programa de TV defender meu MovimentoAnti-Menudo. Nisso eu encontrei com a Legião Urbana, que estavam lá divulgando o primeiro disco. Eu aproveitei para pegar a contribuição deles pro abaixo assinado. Quando chegou a vez do Renato, ele não quis assinar e ainda ficou resmungando umas coisas tipo Porque não Menudo? E eu respondi: porque eles são umas bichas rebolativas! Ele ficou puto. Não tinha nada a ver com a posição sexual deles – nem sabia se eles eram mesmo – mas a com a mariquice irritante daquelas malas. Fiquei triste dele não ter assinado, mas os outros caras da banda ficaram assim , tipo não liga não…
Algum tempinho depois me disseram que ele era gay. Não quis acreditar, até o dia em que estava na gravação do disco das Mercenárias no estúdio da EMI e ele apareceu lá e ficou com o maior TV Eye pra cima de mim. As meninas da banda ficaram até sem graça, já que eu tinha só uns quinze anos.  Foi bem chato. Eu me pirei na hora!
Um tempo depois estava fazendo um show do Ratos de Porão com o Cólera no Circo. Aí uns camaradas que já conheciam o cara me  falaram casualmente que ele era chagado. Eu achava que era zaoção. Tinha dezessete anos e era muito fácil me enganarem. Não sei como não comprei a ponte Rio Niterói nem uma vez. Rolou então uma aposta. Não era de maldade,  o cara era o maior gente fina, mas é tipo um bolão esportivo. E eu perdi.
Depois disso eu achava que estava mais descolado nessas coisas. Mas veio outro golpe do destino: conhecemos o Jello Biafra em San Francisco. Daí uns caras ficaram botando pilha na gente, dizendo que ele as vezes vestia um jeans zebrado e ia badalar! Aí era demais: primeiro o Papai Noel, depois o Coelhinho da Páscoa  e agora o Jello Biafra. Era demais pra mim!
Eu adoro T.Rex, David Bowie, Morrisey e até Boy George. Mas você de algum jeito sabe que eles sapateiam na maionese e tudo bem, tá inserido no contexto. Mas o Jello…sei lá, não combina! Quer dizer, não combinava. Depois descobri que  de Lou Reed até Dee Dee Ramone, a lista só aumentava… Não fiz a menor questão de checar – apesar do cara que trabalhava com ele ter me delatado a verdade – e nunca mais idealizei porra nehuma! Continuei  gostando dos caras e acreditando cada vez menos em esterótipos. Mas tenho que confessar  que restou uma sequela disso tudo e uma pergunta que não quer calar: porque com uma jeans zebrada??? Nem o Max Favelinha usa isso!

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