Mamãe, papai…eu sou…

Como sair do armário quando na frente da família””Como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena, ainda que o pão seja caro e a liberdade pequena”” ”
(F. Gullar)
“É chegou o grande dia! Após muita terapia, muito pensar e debater, pesar os prós e os contras, você irá enfim dizer para a tua família: “”mamãe, papai…eu sou…”” Você está namorando sério, apaixonada, tem certeza que ela é a mulher da tua vida e começou a se questionar: “”por que não assumir? Sair do armário pelo menos aqui em casa?”” Ora, você não tem problemas em aceitar o que escolheu e todos já têm quase certeza mesmo! A mamãe pergunta pelo namorado que nunca apareceu, o papai repara tua tristeza depois da briga com aquela “”amiguinha””, embora pai sempre desconfie por último. ”
“Está decidido e é agora ou nunca, já até bolou como será. Papai e mamãe jantando. Não jantando não…o assunto pode lhes causar indigestão. É melhor falar depois da novela, chegar e ir dizendo na bucha: “”papai, mamãe…eu sou…””, sou o que? Qual a melhor palavra? Não, sapatão definitivamente não! É tão grosseiro e além do mais você só calça 37 e não usa pochete. “”Eu sou lésbica””, é um pouco melhor, você já se vê na ilha de Lesbos, rodeada de mulheres guerreiras em seus cavalos brancos. Humm, mas lésbica soa tão mal, parece uma patologia, algo como “”eu sou diabética””, viu até termina igual! “”Eu sou homossexual”” é outra opção, mas e se teu pai perguntar: “”peraí, teu irmão também não é isto? Será genético?”” Claro!! Você já sabe como irá falar… ”
“Papai e mamãe estão no sofá, você os olha, sente aquele frio na barriga e pensa em desistir. Mas quem disse que você é mulher de correr da raia? Não, já não dá mais pra segurar e se eles te amam, blá, blá, blá, blá, blá, desfia novamente todos os teus argumentos. O medo, no entanto, diz lá do outro lado: “”mas será que tem mesmo que contar?”” T – E – M! tem porque tem, tem porque já não dá mais, é uma necessidade pessoal, nem todos querem falar, nem todos tem a coragem necessária para falar e arrumam mil desculpas para não dizer. Então, decidida você vai e diz: “”papai, mamãe …eu namoro uma mulher, eu amo uma mulher!!”” ”
Viu! Não foi fácil?? Fácil não foi, mas você fez assim mesmo e agora sente até um tiquinho de orgulho pela própria coragem. Não se trata de ser panfletária ou sair na parada gay, não é sair dizendo para todo mundo que prefere mulheres, nem carregar uma carteirinha do sindicato lés . É algo mais profundo que isto, uma busca de respeito pela liberdade de ser o que é.
Agora é só dar água com açúcar para a mamãe e esperar um mês para o papai voltar a falar contigo.

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