Uma teoria sobre a mulher

Baseada na observação de salões de belezaSalão de beleza. Cabeleireiro. Depilação. Hidratação. Corte. Escova. Uma mulher moderna convive com estas palavras assim como o faz com outras, como otimização, exame, pesquisa, cinema. Não é preciso que elas tenham o mesmo valor ou o mesmo peso ao serem ditas. São palavras cotidianas.
“Quando digo isto, tenho certo medo de ser execrada pela comunidade feminista-radical que, ao meu ver, não gosta de ter sua imagem ligada a coisas tão fúteis como, por exemplo, o uso de xampu específico para um tipo de cabelo. O meu cabelo é misto; ressecado nas pontas e oleoso na raiz. Por isso, preciso de um xampu que faça o equilíbrio entre as diversas umidades existentes nos fios de meu cabelo. É um fenômeno químico, você sabe.”
Bom, voltando ao assunto inicial. Tenho uma teoria de que um salão de beleza é muito mais do que parece ser. Não é apenas o lugar em que as mulheres vão, uma vez por semana, para terem suas unhas feitas ou, como eles dizem, embelezadas. Não é apenas sobre beleza. Uma mulher que tem uma semana lotada de compromissos profissionais, brigas com pessoas queridas, idas a reuniões, estudos e jantares precisa de um tempo para pensar em si e relaxar. Muitas mulheres escolheram – mas que coisa antiga! – a terapia.
“Com o terapeuta falam sobre os problemas, falam sobre seus sentimentos em relação aos problemas, falam sobre o que os outros pensam sobre seus problemas e se isso as incomodam. Falam e são ouvidas. Fazem teorias, discutem sonhos, discutem desejos.

Luiza Goulart de Andrade Gonçalves de Almeida
Outras mulheres, como eu, escolhem algo mais barato, mais divertido e com menos sofrimento. Tá, fazer depilação de virilha dói, mas não é nada se comparado à dor de saber que você é, sim, responsável por tudo que deu – e dá – errado na sua vida. E é exatamente com isso que psicanalistas e psiquiatras ficam ricos todos os dias. ”
A ida ao salão de beleza é uma experiência enriquecedora. A mulher sente-se querida. Todos que trabalham no salão sorriem quando falam com um cliente. Enquanto faz suas unhas, recebe cafezinho, ouve as fofocas e, ainda, faz a leitura mais gostosa da semana. É quase um spa.
“Assim como na terapia, no salão também se é ouvida. A manicure sempre é uma espécie de confidente. Ela sabe de tudo. Quando te vê, depois de falar oi, sorrir, te dar um beijo e abraço, ela questiona Como foi a festa? Falou pra ele que você não quer mais? Conseguiu entregar o trabalho de terça?. E você desabafa e fala tudo que precisava pôr pra fora e começa a ouvir; agora é a vez dela. Meu marido tem outra. Eu acho que tô grávida. Vou trocar a cor do cabelo, você acha que combina comigo?. É o bom e velho relacionamento. Fala-se e ouve-se. Importa-se com os outros. Importam-se com você. Preocupam-se. Elogiam. Criticam. É um mundinho que nem todos enxergam ou dão valor.”
Em um almoço de família, uma tia minha, que freqüenta o mesmo salão que eu, perguntou quem era a minha escovista. Escovista é quem faz a  escova. Deixa os cabelos das mulheres lisos. Respondi É a Paty. Os homens da mesa, todos, ao mesmo tempo, caíram na gargalhada.  Escovista?! Vê se pode. Essas mulheres não tem mesmo mais nada pra inventar. Mas que coisa! Rá! Rá! . Todos chocados, coitados. Os homens realmente não entendem as mulheres. Talvez se eles passassem algum tempo dentro de um salão de beleza, poderiam tentar entender que nós não somos tão complexas assim. Somos apenas carentes.

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