A roubada da roupa conceitual

A história de uma moça que, em momento pós-depressivo, comprou uma roupa e não sabe como vesti-laTudo começou com uma grande tristeza. A maior . Essas que batem uma vez por ano mais ou menos e….te fazem cair na cama. Uma hora você levanta. Depois de uma sessão extra de análise, você resolve fazer uma compra. Para comemorar que você melhorou. Conseguir ir até o shopping já é um grande avanço, sim, merece ser comemorado.

Aí você resolve entrar em uma loja cara. E você tem uma festa, que vem a ser a comemoração do seu aniversário. Depois de experimentar umas três que até a sua mãe ia achar bonita, você até poderia usa no Natal sem preocupar a sua avó, o vendedor aparece com uma peça conceitual. Aquelas que as modelos usam na passarela e ninguém compra. Elas são feitas só para o dono da grande grife se sentir um estilista de verdade. A blusa, que o vendedor chama de top, custa uma fortuna assustadora.

“A moça depressiva sou eu. E a otária também. Comprei a blusa conceitual achando que aquilo poderia devolver a minha auto estima. A verdade é: cheguei em casa com a minha sacola e fui experimentar (a melhor parte de comprar uma roupa é experimentar, como todo mundo sabe). E… eu não consegui vesti-la. Vou tentar explicar mas não vou conseguir: tem um pedaço de fita que fica amarrado no seu braço! Tipo não dá para dançar e muito menos para tentar agarrar alguém. É meio que um cinto de castidade do agarro. Mas tudo bem. “”Na hora de dançar você tira””, disse o vendedor ludibriador. E eu, pobre deprimida, caí nessa.”

A blusa está pendurada no meu guarda-roupa e provavelmente a minha diarista não vai entender nada. Mas a nota fiscal, para caso de troca, está na gaveta, bem guardadinha. E se você é mais um leitor que acha tudo isso fútil, a minha piedade para você. O que eu vivi internamente essa semana não foi nada fútil. E a roupa conceitual pelo menos me fez rir. De mim mesma, que é a maneira que eu encontrei de viver razoavelmente feliz.

E peço um favor para os estilistas: pelo amor de deus, incluam uma bula nas peças conceituais!

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