Perturbações

Você acorda e algo mudou. O taxista estava esperando do lado de fora, mas a gente estava tão entorpecida que tínhamos esquecido. Desço as escadas quase sem conseguir.  O prédio é estranho, de escadas estreitas e no primeiro andar mora um casal doente. Vejo a bunda purulenta do senhor quando passo pela porta. O taxista não esperou, deve ter pensando que demos o cano. E em um segundo, estamos em um assalto a banco. Duas mulheres e um homem: nós três estamos mortos. Sua perna ensaguentada ainda pulsa. Ele a matou.”
Acordo, faltam quinze minutos para eu chegar no trabalho. Ainda estou na cama, que não é minha e sim de minha irmã. Ela sonha e sorri. Eu sinto inveja. Chove muito na cidade. Quero ligar e dizer que não poderei ir. Estou morrendo.
Meu cabelo está ruim. Coloco uma dezena de grampos desconexos. Vou até o armário, escolho minha camisa: rock´n´roll hurts. É hora do trabalho, onde chegarei atrasada sob o olhar acusatório do estagiário.
É muito duro acordar com o coração partido.
E ver que a vida prossegue.

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