Uma garota, um show de rock, uns carecas

Uma parábola de como as coisas vão e voltam. O ano devia ser alguma coisa como 1989. Muito tempo atrás. Finalmente a banda Destruction vinha ao Brasil. Pra quem não sabe, o Destruction é uma banda alemã de metal. Uma coisa. Mas na época, com os meus 15, 16 anos, eu e minhas amigas achávamos excelente. Tão excelente, que combinamos de vir ver o show em São Paulo. Ou você acha que o Destruction ia dar show na província do Rio de Janeiro?!”
E lá fomos nós para a rodoviária, acompanhadas por nossas mães, que teriam que nos dar uma autorização do Juizado de Menores para viajar sozinhas. E seis horas depois, estávamos na metrópole. Uma loucura. Baladas, boites bem loucas e a casa do amigo do pai de uma de nós. Era lá que a gente dormia. Apesar de roqueiras mirins, nós ficávamos mesmo era em casa de família.
E chegou o dia do show. Que era longe. À beça. O amigo do pai deu uma carona até a estação de metrô. E depois de algumas baldeações, chegamos perto do lugar. Hordas de metaleiros se dirigiam para lá. Ótimo, encontramos até metaleiros do Rio, que também vieram em caravana. Mas uma notícia bombástica: não teria o show do Destruction. Alguma coisa aconteceu na Alemanha e eles não vieram. Só nós, conseguimos chegar do Rio.
Tudo bem. Várias outras bandas brasileiras iam tocar. E metal por metal, seja brasileiro ou alemão, dá tudo na mesma. Isso eu penso agora, na época é lógico que eu conseguia diferenciar os diferentes estilos.
Na hora de ir embora, um rebuliço. Cuidado, uma horda de carecas está vindo para cá, bater em todo mundo. Inclusive já pegaram uma garota no caminho do metrô e bateram nela!Essa foi a senha para o pânico se instalar. A gente já sabia da fama dos carecas de São Paulo. Mas entre saber das crueldades deles e eles estarem ali na porta para nos matar…existia uma grande diferença! Logo nós, que nem éramos da cidade!
Então nós resolvemos correr. Nós e todos os metaleiros. Mas as notícias eram confusas. Alguns falavam que os carecas estavam na porta do metrô, aguardando para dar o bote final. E se isso fosse verdade, de nada adiantaria correr. Então tivemos uma idéia de gênio: pegar um táxi. Simples, não? Não quando você tem 15 anos e está sendo perseguida por carecas do subúrbio. E só tem uns R$5 no bolso.
Então o táxi só nos levou para uma estação do metrô um pouco mais longe, o suficiente para ficarmos sãs e salvas. E conseguirmos voltar para o Rio, com muitas histórias pra contar.
E por que lembrar disso tudo? Porque acabo de receber um mail. Turnê do show do Destruction. O pessoal da Tumba Records que está promovendo. Começa dia 7, em Porto Alegre. Como no passado, também não inclui o Rio. Ai, ai…o tempo passa.

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