A liquidação que faz bem e a que faz mal

A loucona das pechinchas ataca de novo A LIQUIDAÇÃO QUE FAZ BEM”
Tarde de chuva. Eu tinha levado um cano profissional. Extremamente mal-humorada. Aí eu fui lá. A liquidação de um dos meus estilistas preferidos. A loja, bem, fica numa região quase calma. Eu entro, a vendedora já me conhece (bandeira! Bandeira de que eu sou extremamente consumista!). A loja está vazia. Ela me mostra A CALÇA. Aquela que eu quase tinha comprado na alta temporada. Custava caríssimo. Uma fortuna. Ela me mostra A CALÇA. Agora 60% mais barata. Visto. Linda. Eu vou levar.
Mais duas blusinhas ficam lindas e maravilhosas. Devem estar 80% mais baratas. Vendedores gentis. Eu compro. Todos me beijam e dão thau. Saio tão feliz com a minha sacola que o dia melhorou. Auto-estima renovada. Me sinto uma rica bem tratada. Sim, porque nesses casos, ter comprado em liquidação não faz a menor diferença.
Eu sou uma alienada momentaneamente pelo consumo que compro em lojas legais, onde o moço da portaria me leva até o táxi de guarda-chuva. Finjo que vivo em um lugar inteiramente chique. Eu sou Carrey! Eu sou Samantha!
Não se preocupe. O superego não deixa a alienação pegar assim tão pesado. Logo, logo eu vou lembrar da desigualdade social e de tudo o mais. O meu prazer dura pouco. Mas qualquer momento de prazer (mesmo causado por um delírio) está valendo nesses tempos difíceis.
A LIQUIDAÇÃO QUE FAZ MAL
Vou com a minha mãe ao Shopping. A liquidação é tão poderosa que chama liquidação maluca. E, sim, as pessoas estão loucas! Estão fora de si. Entramos na Zara e também ficamos loucas. Viramos esquizofrênicas em questão de minutos. Estamos surtadas e histéricas. Ela acha que eu devo comprar cardigans que estão por 39. Vejo camisetas por 15. Experimento um scarpin prateado de salto agulha, tipo salto 15. Ando com ele pela loja até concluir que eu não sou uma mulher que sabe se equilibrar em saltos. E que eu gostaria muuito, mas muito mesmo, de ser uma delas. Pensamos em comprar presentes de Natal que ficaram faltando (sim, estamos em março). Sinto que posso ter uma síndrome do pânico. Vejo um jeans que custa 15. Tento experimentar no provador infantil. Obviamente me expulsam. Entro no provador das mulheres enlouquecidas e demoro 2 segundos para concluir que vou comprar a calça. Mais uma passada pela ala infantil. Vejo um vestido para a Marina (ela tem seis anos). Começo a ver roupas de bebês para as 330 crianças que vão nascer esse ano (entre sobrinhos de primos e sobrinhos de amigos). Lembro que eu fiquei para titia.
E com a calça, que sinceramente não sei se eu vou usar, saio de lá como se saísse da guerra. Despenteada. Auto estima baixa. Loucona. E começo a achar que uma ida a liquidação é mesmo um processo alienante. Só que negativo.

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