Test drive: um dia de salto 8

E sem cair! Um dia você acorda e passa a ter inveja de todas as mulheres que conseguem se equilibrar em cima de um salto alto. Tá bom, não é bem assim. Tudo começa quando você, que sempre foi uma garota em fúria de tênis ou coturno começa a se apegar a sapatos delicadinhos. E passa comprar centenas deles. Depois se deslumbra com alguns que têm um saltinho confortável. O próximo passo, pode ter certeza, é querer um scarpin salto 10. E olhar com inveja para moças que andam em um deles sem tropeçar.
Para justificar sua nova mania, você inventa que esse é um momento muito importante da sua vida. Você finalmente está assumindo a sua feminilidade sem culpas. Você não precisa mais fazer pose de intelectual para provar que é inteligente. Você pode ser perua. E isso deve ser graças aos anos de análises que você já fez na vida. E agora, que gastou muita grana com análise, vai torrar o seu dinheiro também com sapatos.
No ápice da minha loucura por saltos, comprei uma Melissa do Sommer. Mas não é assim que eu comprei. Eu me apaixonei por aquele sapato desde que o vi na passarela! Eu deixei meu nome numa lista de espera na loja do estilista em São Paulo. E… quando eu vi a sandália à venda em uma loja do Rio durante o tedioso final de semana… levei uma para casa. E aquilo salvou meu feriado.
Quando cheguei na casa da minha mãe, me senti maravilhosa (mesmo estando no meio de uma opressão familiar) por conseguir me equilibrar no meu salto 8. E é fino, queridas, sim, salto muito fino! Se é pra usar salto, que seja fino.
Dia de estréia. Eu ia ser DJ no Amp Galaxy. E estava me achando o máximo, admito. Não tinha nenhum pretê à vista, mas… eu estava em cima do salto 8, de minisaia e camiseta. E na cabine de DJ mais dançando que cantando. Glória. Eu me sentia praticamente a Madonna. Nessa hora descobri que pretê é uma coisa desnecessária para animar uma noite se você tem um salto e uma pickupe (tudo bem, era CD).
Algumas horas depois, meu pé começou a doer. A doer muito. Passei a ser a imagem do desespero. Amigas experientes disseram que o pé doía no meio porque eu estava jogando todo o peso do corpo na frente do sapato. Me deram dicas. Nada adiantava. Eu só conseguia ficar escorada na parede. Não conseguia descer na pista por incapacidade de andar. Quando cheguei em casa, improvisei uma massagem no pé com hidratande (é claro, é óbvio que eu náo tenho creme para os pés). Dormi sentindo dor.
Mas não importa. O que importa é que eu consegui ficar quatro horas em cima do salto. E nem caí. E, sim, eu sou louca e vou usar o sapato muitas e muitas vezes de novo. Ah, claro, eu sou fútil pra caralho.

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