A polêmica do futon do bebê

E o meu direito de resposta. Desde que disse – um dia assim, como quem não quer nada – que quando tivesse um filho ele iria dormir num futon, tenho sido alvo do prenconceito de todos. Até quando sou apresentada para estranhos por minhas amigas, elas fazem questão de sublinhar que sou uma pessoa sem noção:
– Essa aqui é a Jô. Ela fala cinco línguas, é jornalista, escritora,
e…  você acredita que ela acha que bebês têm que dormir
num futon!
Depois, dão um riso constrangido. Todos se dão tapinhas “nas costas e repetem “”futon, ah ah””. Sou tratada tipo uma louca que deixaria seu filho dormir enrolado no jornal.”
Acho que este estardalhaço é uma espécie de vingança espiritual de mães que usam aquelas sacolas plastificadas de bebê. É um quebranto só porque eu falei mal do hábito “mais cafona da maternidade. Mães freqüentadoras de lojas tipo “”O xodó do bebê”” jogaram uma maldição sobre mim. E agora, minhas próprias amigas -” pessoas de bom coração – fazem chacota só porque o MEU neném (um ser que ainda não existe) vai dormir num FUTON.
Diante deste rebuliço inexplicável, só me resta agora lutar até a
a morte pelas minhas convicções. Ser uma espécie de Nelson
Mandela dos bebês aprisionados. E lutar até a morte, também, pelo direito de mudar de opinião quando eu bem entender. Sem que isso seja, também, motivo para rebuliço. (Outro dia, tive que escutar de uma amiga que quando eu tiver um filho ela vai me OBRIGAR a comprar um futon.)
Sim, eu acho que bebês podem dormir em futon. E não estou falando
num futon jogado no quarto dos fundos do lado da caixa de areia dos gatos.
É um futon fofo, aconchegante e com brinquedinhos. Com um edredon colorido e quentinho. Mas sem grades.
Socorro, socorro, dizem as mães-berço-de-cerejeira.  O bebê será atacado por insetos peçonhentos e formigas saúvas! Não sou uma gênia”
da biologia mas, até onde eu saiba, existem muitos insetos com asas. E se é para pensar em perigos bizarros… se deixarmos a janela aberta, um corvo poderá entrar voando e levar o pobre bebê que dorme do berço. Criará o bebê em seu ninho e ele se transformará numa criança-corvo! Então, socorro também! Melhor até tampar o berço.

Socorro, dizem elas, o bebê pode cair. Eu já cai, mas foi de um berço. Estava achando aquele ambiente um saco e tentei fugir. Dei um mosh e desmaiei. Minha mãe ficou correndo pelo prédio comigo desacordada, em desepero. Bem, até onde eu saiba, rolar não causa hematomas roxos. No máximo, dá um pouco de tontura e diversão.
Socorro!, dizem as mães em polvorosa. O bebê liberto irá correndo para a cozinha onde colocará sua cabeça dentro do forno. Porque, na mente das mães berço-de-cerejeira, ou o bebê fica amarrado com correntes no pé do berço ou pode ir para onde bem quiser. Pode ir até para a lixeira,  brincar com os ratos. Elas não acreditam num meio termo. Nem numa simples barreirinha de almofodas na porta do quarto. Porque se eu defendo a liberdade do bebê não tenho nem o direito de colocar grades protetoras na janela.
Não sei se terei filhos, não sei se eles dormirão em futons. Nos últimos dias, aliás, não sei de mais nada. Mas lutarei até o fim dos meus dias pelo direito de ter uma opinião diferente .
Sei que já falei mal das bolsas de plástico de bebê e peço – publicamente – desculpas pela intolerência antes demonstrada. Criem seus filhos em berço de mogno e carreguem suas bolsas em tons pastéis. Façam quartos brancos que se pareçam com hospitais. Façam como quiserem. Mas deixem o meu neném imaginário dormir no seu futon sossegado!
“PS2: Eu não falo cinco línguas.”

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