O poder da exposição

E como ganhar vários pontos na tabela aniquiladora de culpas Anotem: Pequena Galeria 18. Avenida Atlântica, 1782. Loja F. Edifício Chopin. Rio de Janeiro. É nesta micro-galeria no glamouroso”     endereço que estão as fotografias de Pierre Verger – 66 ao todo – numa exposição
inédita do fotógrafo francês. Os retratos foram feitos nos anos 40, assim
que ele chegou a Salvador.
Fazia tempo que eu não ia numa exposição. Confesso que, além de ter achado esta incrível – e recomendo, depois do RJ vai para São Paulo – também me fez lembrar que  ver uma exposição é um dos quesitos que obtém mais pontuação na tabela aniquiladora de culpa.  Uma espécie de tabela mental que desenvolvemos no nosso eu interior quando saimos menos do que achamos que devíamos sair. Uma cobrança idiota. Nem todas as pessoas são assim.
Quando trabalhamos muito (o tema parece repetitivo, mas é um dilema em minha vida)  somos tomadas por uma grande
preguiça de sair.  Melhor ficar em casa chapando, fazer um rango legal e pegar
um vídeo e assisti-lo com a pessoa amada. E sem culpa. Mas a culpa, bem, ela existe. Sentada na beira da sua cama. Sussurrando
no pé do seu ouvido. Te acusando de você ter se transformando praticamente
numa frequentadora de queijos-e-vinhos.
Mas quando você vai numa exposição pode passar
meio semestre sem sair de casa. Afinal, você saiu do aconchego do lar para ver meia
“dúzia de quadros.  A atividasde  conta mais pontos até que fazer sexo.
Claro que prefiro fazer sexo do que ir a museus. Mas não estamos”
falando de preferências. Esta é uma tabela científica.
Por isso, se você sofre de culpa de baladas – aí vai a minha dica.
Sobre Pierre Verger:
“Pierre Verger nasceu em Paris, no dia quatro de novembro de 1902. Desfrutando de boa situação financeira, ele levou uma vida convencional para as pessoas de sua classe social até a idade de 30 anos, ainda que discordasse dos valores que vigoravam nesse ambiente. O ano de 1932 foi decisivo em sua vida: aprendeu um ofício – a fotografia – e descobriu uma paixão – as viagens.
As coisas começaram a mudar no dia em que Verger desembarcou na Bahia. Em 1946, enquanto a Europa vivia o pós-guerra, em Salvador, tudo era tranqüilidade. Foi logo seduzido pela hospitalidade e riqueza cultural que encontrou na cidade e acabou ficando. Como fazia em todos os lugares onde esteve, preferia a companhia do povo, os lugares mais simples. Os negros monopolizavam a cidade e também a sua atenção. Além de personagens das suas fotos, tornaram-se seus amigos, cujas vidas Verger foi buscando conhecer com detalhe. Quando descobriu o candomblé, acreditou ter encontrado a fonte da vitalidade do povo baiano e se tornou um estudioso do culto aos orixás. Esse interesse pela religiosidade de origem africana lhe rendeu uma bolsa para estudar rituais na África, para onde partiu em 1948. ”
(* Biografia do Instituto Pierre Verger)
A exposição, em seguida, segue para São Paulo e Salvador.

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