Quando a infância acaba

Mesmo que isso só aconteça depois do 30. Por mais infantilista que você seja, tem um dia que a sua infância acaba. Você acorda e percebe que virou adulta. Não é uma amadurecimento interior.
Geralmente é um fator externo que te faz perceber.
Quando Fernando Sabino morreu, há duas semanas. Foi neste dia que a minha infância acabou. Junto com Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, eles escreviam a série Para Gostar de Ler, uma coletânea de crônicas lançada com o objetivo de incentivar o hábito da leitura.
É uma enorme sorte crescer lendo esses caras. Me lembro um dia que encontrei o Drummond na rua e o abordei. Estava com a minha irmã e primas. Pensamos que ela ia escrever uma crônica sobre a gente. Também éramos de Minas Gerais.
A crônica nunca existiu.E depois vieram outras decepções, como parte da vida. E muitas perdas.
E eles foram saindo de cena. Um a um.
No dia que Fernando Sabino morreu a minha infância – aos 34 anos – acabou.
E salve Felix

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