Histeria política

Não, nós não ficamos descontrol só em liquidaçõesTudo começa com um convite para participar de um evento que apoiava a nossa candidata. Eu, a amiga, o amigo e a mãe da amiga entramos no carro meio achando que tudo bem, tínhamos que ir lá dar uma força. No carro tocava Chico Buarque. Começamos a achar que estávamos vivendo, assim, uma coisa década de 70.
“Mas foi na hora em que chegamos ao local do evento que sentimos as primeiras fagulhas de descontrol se apoderando dos nossos seres. “”Sacanagem, a gente nem veio com as cores do partido””, diz a minha amiga estilista. “”Eu quero uma bandeira””, diz a mãe artista plástica da amiga. Conseguimos sentar em um lugar bem na frente. Ainda estávamos relativamente normais. ”
“Aí começaram os discursos. A mãe da amiga se especializou em puxar palmas. Passamos a nos emocionar com os discursos e a levantar gritando o nome da canditada. Estávamos enlouquecendo. Mas era aquele tipo de loucura lúcida que não acontece sempre e que a gente tem mais é que aproveitar. “”Tô adorando evento político””, eu digo para a amiga, que me corrige. “”Não, o nome disso é ato””.”
“Quando vejo o Edgar Escandurra subir no palco, decido que ele é meio um Michael Stipe. Estamos cheias de orgulho. O rock apóia a política. E começamos a lembrar de bordões de pólítica vintage do estilo: “”é a hora da virada!””. “”Eu sou como o Brizola, não acredito em pesquisas””. ”
No final, até cantamos uma musiquinha da candidata, batendo palmas, todos muito felizes da vida.
Na minha época a gente podia fumar em evento político, diz a mãe da amiga (a essa altura já minha amiga). Nos empolgamos tanto que falamos para uma passante que a encontraríamos no próximo evento, que aconteceria muito cedo, hora em que dormimos.
“Tomados pela política, vamos discutir política em um botequim. “”Não, tem que ser qualquer botequim, não aquele que parece o Spot dos botecos””, decreta a amiga.”
Paramos em um boteco do centro e gritamos, gritamos, gritamos. Concluímos que as pessoas precisam ter lado (sempre, na vida) e que ficar em cima do muro é inadmissível a partir daquele dia.
Tenho um surto… um grande surto quando descubro que um amigo estava fazendo campanha política em uma cidade longínqua. Com o apoio das amigas, deixo um recado na secretária eletrônica dele falando que ele é o cara mais legal do mundo porque tem lado. E digo que estou muito apegada a ele por isso naquele momento.
No dia seguinte, organizo um movimento político por msn com os amigos. E, por enquanto, garanto que o evento político foi melhor que qualquer Tim Festival.

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