O Orkut e a comparação de vidas

Todas as pessoas do passado reaparecem ao mesmo tempo. Você compara a sua vida com a de todos. E lembra que não é pra ter pena de ninguémSabe aquela amiga de escola que você nunca mais viu? E aquele menino com quem você brincava de polícia ladrão? Bem, um dia o tempo passou e cada um foi viver a sua vida. ”
Você mudou de cidade, de idade, de tudo. Quase um José Dirceu, que mudou de cara. Aí inventam o orkut. E você encontra o garoto com quem brincava de polícia ladrão e a amiga de maternal.
O encontro com as pessoas do passado cria uma paranóia maluca: a comparação de vidas.
Será que eles é que são felizes?
Será que eu deveria ter continuado na cidade do interior levando uma vida pacata?
Será que eu devia ter tido três filhos?
Passo a madrugada investigando a vida de pessoas que tinham se perdido no passado. Checo scraps, comunidades, tudo. Escaneio a vida deles. E a minha, claro.
Aí vem outra paranóia: o medo de ser rejeitada, ainda, aos 30 e poucos.
Será que eles vão me achar muito louca?
Será que eles vão gostar da pessoa que eu me tornei?
Telefonema interurbano para a prima que mora em Brasília. Ela foi tomada pela mesma doença. Não conseguimos parar de comparar vidas. Estamos doentes com isso. Paramos de trabalhar para analisar a vida dos outros.
Isso não leva a nada, sabemos disso.
Mas não é fácil lidar com o passado batendo na cara cada hora que você abre o computador.
Dá melancolia, nostalgia e muitos outros sentimentos que você não imaginava serem possíveis de surgir assim, via tela de computador.
Que medo.

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