A fórmula da felicidade

E dos pneus, da pancinha e do excesso calórico. Da lista de pessoas a quem eu daria uma medalha de honra ao mérito: o sujeito que inventou a Nutella. Sim, aquele creme de avelã com chocolate que, para desespero de todas nós, é vendido em potes no supermercado. Remédio para mal do coração, dor de dente, tédio, falta de glicose. Que, claro, deve ter sido inventado por uma mulher. Porque homem – como eles mesmos gostam de se vangloriar – não liga para doce.
Vender potes de Nutella sem receita médica deveria ser algo, sinceramente, proibido por lei. Faz tempo que eu tinha decretado: nada de Nutella em casa. A iguaria deveria ser degustada apenas em restaurantes, que oferecem micro crepes a macro preços. A porção é tão pequena que nem dá culpa. E você sai de lá pensando como é boa a Nutella, essa raridade só encontrada em bistrôs da moda e no Reino Perdido de Atlântida.
“Sim, passei os últimos anos fingindo não saber que nossa amiga Nutella é revendida em qualquer mercado da esquina por alguns míseros trocados. Nas minhas idas ao super, evitava olhar para a prateleira que, sem vergonha alguma, me oferecia um pote de pura Nutella da montanha. “”Coma-me, coma-me, coma-me””, dizia o pote. E eu, ruborizada, fugia direito para o corredor de arroz integral. ”
Até que, outro dia, num desespero qualquer, cedi. Cento e oitenta gramas de felicidade (e pecado) embaladas para viagem. Só para mim. O próximo passo foi malocar a guloseima no meu carrinho, camuflada entre a salada orgânica e o Quinoa – que são uns grãos andinos misteriosos que fazem bem para a saúde, dizem.
“O pote ficou lá, intocável na despensa.  Junto com a Quinoa. Porque, obviamente, os grãos andinos misteriosos encalharam. Mas um dia, as minhas células se revoltaram. “”Chega de privação!””, gritaram elas. E, quando percebi, lá estava eu abrindo o pote de Nutella. Sem controle, enquanto as minhas células suspiravam de felicidade, tentei me agarrar a uma desculpa qualquer: sim, eu estava abrindo um pote de Nutella de noite em casa, sozinha. Mas seria apenas para degustar com a minha nutritiva sobremesa a base de frutas.  Abrir um pote de Nutella é como desvendar a Arca Perdida ou a Caixa de Pandora. Quando o lacre é rompido, não há volta. ”
Bem… foram-se os morangos, mas aqui estou eu, de madrugada. Comendo Nutella de colherinha. Eu sou meu próprio Willy Wonka.

“PS: Se você tem alguma receita gostosa que tenha grãos andinos como ingrediente, por favor, me mande um email!
Hallack;giovanahallack@uol.com.br

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