Moça na boate

Por Jô Hallack

Essa noite eu vou à boate.
Afinal, ele está em França rodeado de mulheres. E não tenho vocação para Mariana Alcoforado. Mesmo que seu coração bata forte e descompassado, depois de duas semanas esperando a pessoa amada na beira do cais, cai a ficha. A pessoa amada não volta em três dias. A pessoa amada está na esbórnia, no oba-oba, no fuzuê. E você? Linha boa moça, do serviço para casa, da casa para o serviço. Diversão? Novelinha. Ish que isso não é vida! Essa noite eu vou ter que ir à boate.

Afinal, a vizinha resolveu comprar uma rede. Uma rede, vê se pode. Nheco-nheco-nheco, faz a vizinha de manhã. Nheco-nheco-nheco, é só o que eu ouço na hora na alvorada. Nheco-nheco-nheco, de tarde, na aurora e no pôr-do-sol, depois do almoço, no lanche da tarde. Ish que essa vizinha não sai mais de casa! Viciou. Deve até estar faltando com as obrigações. Só para ficar na sua rede. Nheco-nheco-nheco. Bem em cima da minha cabeça. Alguém me acuda, minha nossa senhora do desespero. É, não tem jeito. Essa noite eu vou ter que ir à boate.

Afinal, a moça que vos escreve quase foi transformada em suco, teve que remar no porão do navio dias dias e dias a fio.  Remem! Remem! Reme! E a moça remou, remou, remou, chupou cana e assoviou, fez roteiro, reportagem, produção, faxina, brigadeiro, cento de salgado e costurou para fora. Mas que vida é essa?!

Sim, vou ter que ir à boate. Essa noite baixa uma Lucia McCartney rápida. Fogo às vestes? Barbitúricos?
Não, essa noite eu vou à boate.

 

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