Por que amamos.

Por Jô Hallack

Por que amamos. Esse era o nome do livro, comprado numa manhã de sexta-feira com o objetivo de entender o meu estado atual de cabeça nas nuvens. Antropóloga americana tenta desvendar a natureza e a química do amor romântico. Acompanhada por uma equipe de neurocientistas, a Doutora Helen Fisher mapeou o cérebro das pessoas apaixonadas. Abri o livro cor de rosa e fiquei sorteando páginas ao deus dará. Com a cabeça nas nuvens, fica difícil querer levar a vida a sério. É melhor abrir em um trecho qualquer como se o estudo complexo fosse alguma espécie de oráculo miraculoso.

Ela estudou o comportamento dos animais e chegou a várias conclusões. Inclusive de que os cães também se apaixonam. E que os arganazes do campo também. Dá um certo conforto saber que você não está sozinha no mundo. E que arganazes do campo estão no mesmo barco!

Segundo o estudo, você só se apaixona quando está pronto para se apaixonar. Sim, Doutora Helen passou anos pesquisando para chegar à mesma conclusão que as nossas manicures: que não adianta nada querer se apaixonar, pois isso nunca acontece quando você está a fim. No livro ela explica que só quando você está vivendo situações de excitação, tristeza ou alegria extrema se apaixona porque seu cérebro fica inundado de substâncias que fazem com que você olhe para um passante e seus olhos brilhem.

Aí é que entra a química do amor: você começa a ficar com níveis elevadíssimos de dopamina e norepinefrina. A dopamina, entre outras coisas, faz aumentar seus níveis de testosterona e você começa a ficar louca para ir para a cama com aquela pessoa. Já a norepinefrina, entre outras consequências, dá uma superativação na sua memória. O resultado: pensar no ser amado o dia inteiro. Já os níveis de serotonina caem, provocando uma certa obsessão. Como, por exemplo, pesquisar na internet os horários dos jogos do Sport de Recife! Até o sucesso do Google se explica pela paixão.

O amor é uma farsa química para que os seres humanos sobrevivam e povoem o planeta. Tudo bem. “Por que amamos”, no entanto, explica mas não responde o mais importante. Por que, afinal, nos apaixonamos por esta ou aquela pessoa? Dopaminas à parte, como explicar o fato de você começar a gostar de alguém após trocar duas palavras no Braseiro e terminar se apaixonando duas horas depois no banheiro do Jobi?

Há mais mistério nos Baixos do que a vã neurociência possa imaginar.

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