Processo de desdemonização do alheio

Por Nina Lemos

Para romper, geralmente a gente tem que endemoniar. Não vá dizer, baby, que isso é coisa minha, coisa de quem tem pouco amor no coração (na verdade eu tenho um monte), ou pouca civilidade (eu tenho um monte). Isso eu aprendi com a vida e com a psicanálise.

Quando vim morar em SP, precisei odiar o Rio. Hoje, posso amar os dois lugares e simplesmente preferir morar aqui, mesmo com os ataques do PCC. Entendeu a metáfora? Você tem que pintar um diabo quando se separa de alguém. O tempo passa. E isso vira desnecessário. Na real, uma hora você cansa até de ter bode.

Mas como desdemonizar alguém? Não tem igreja que te ensine a fazer isso. E você tem que auto-tirar um demônio da pessoa. Que no caso é você mesma.

É preciso lembrar de bons momentos. É preciso repetir o clichê: “às vezes as coisas não dão certo”. É bom lembrar que não tinha mesmo porque dar. E que a vida segue. O ex não é um demônio só porque o amor deu errado. Não, não é.

Mas porque entrar no difícil processo de desdemonização do alheio?

Pra tirar um peso e perder a mágoa. Acho que é só por isso. E pra estar melhor na hora em que o novo amor chegar. E também porque ter raiva cansa.

PS. Esse é um processo pessoal e intransferível que não requer a participação do alheio. Vale mandar e-mail dizendo que entrou no processo. Mas só como desabafo. Se ele não responder, dane-se. Quem quer se livrar é você.

 

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