You only live once *

Por Raq Affonso

8h da manhã. Seu filho te acorda com um beijão. Fofo, não fosse a ressaca. Madrugada anterior. São Paulo sem táxi! PCC conseguiu. Abalou geral. Agora alguém vai ter que se tocar, incluindo aí os jovens que não ligam para a política estudantil (isso foi um pensamento da mesa do bar, mas esqueci exatamente os argumentos, só me lembro dessa linha geral).

Mas seu assunto agora é outro. Seu filho está com um horrível cabelo capacete. Com a graça de Deus, quer dizer, de seus genes, o cabelo dele é incrível. E cresce que nem mato. E você tem que cortar sempre.

Só que cortar cabelo de criança não é uma tarefa muito fácil. Você, que na adolescência cortava o cabelo das amigas, já tentou umas duas vezes. E deu totalmente errado.

Você vai no salão que tem aqueles carrinhos, para os bebês sentarem e deixarem o cabeleireiro fazer seu trabalho em paz. Mas o cabeleireiro tá atrasado. “É o trânsito, tá um horror. Culpa do PCC.”, me explica a recepcionista. Tudo agora virou culpa do PCC.
Vou para outro salão. Agora resolvo arriscar num barbeiro. O filho tem um ataque de choro, talvez já pressentindo que o corte não vai ficar bom. O Seu Barbeiro sugere: “Você senta com ele no colo pra segurar bem forte”. Como assim, eu penso? Além de ficar cheia de cabelo, o moleque vai ficar se esgoleando. “Não, eu corto com máquina, vai ser rapidinho”. Eu desisto. “Se você não se esforçar, não vai conseguir”, me repreende o Seu Barbeiro.
COMO ASSIM NÃO ME ESFORÇAR?! Eu enfrentei uma madrugada sem táxi; eu fui em dois lugares mesmo assim; eu acordei de ressaca; fui em dois salões. Como assim, não me esforçar?!
Eu olho pro cabelo capacete do bebê e vejo que não está tão ruim assim. Mais um pouco, e pode ficar estilo cuia, que nem os Ramones. E o corte fica pra depois.

* Esse título nada tem a ver com o conteúdo acima. Na verdade, é só uma constatação. Cansei se ouvir essa música no Repeat, desde que botei reparo nela, mais precisamente no dia 9 de maio, no avião para Londres. Desde dessa época, resolvi liberar o mosh emocional. Mas não lembrei do básico: para liberar o mosh emocional, você tem que ver bem onde vai cair. Porque se não tiver alguém pra te segurar, o tombo vai ser feio.

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