Socorro! O meu cabelo!

Por Nina Lemos

Quando eu gritei essa frase meu amigo levou um susto. A gente estava no carro, noite de São Paulo, em direção ao templo punk brega, um dia depois da cidade ter sofrido mais um monte de ataques. Meu cabelo estaria pegando fogo? Caindo?

“Nina, você está ficando maluca. É sério.”

Quando essa frase é dita por um amigo perturbado, é pra ser levada a sério. Não havia nada de grave com o cabelo. Ele continuava preso ao meu couro cabeludo. Eu só não sabia o que fazer com uma ponta que pulava na frente. Bem, eu to deixando o cabelo crescer. Coloco para o lado esquerdo ou para o direito?

O drama passou depois da bronca do amigo. Mas quando o mundo te prega várias pegadinhas do mal, quando você se sente meio desconectada de muita gente com quem já foi conectada e aceita isso, quando, além de tudo, a cidade pega fogo e os carros importados continuam a cruzar seu caminho com o vidro a prova de bala fechado (oh, silêncio indiferente de São Paulo… existe sim algo que precisa ser gritado. E ao invés de gritar: Socorro, o mundo! Eu gritei: socorro, meu cabelo!

Mas passou. Inclusive escrevo isso recuperada do estado de melancolia que eu sei, faz parte da vida. Assim como faz parte a escova dar errado e ficar um tufo bizarro na frente. É a vida. Fazer o quê? Um iê-iê-iê. E o cabelo? Ah, quem precisa de cabelo direito quando tem a alma levemente recuperada apesas das pegadinhas insistentes da vida?

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