Telefoninho

Por Jô Hallack

Vou ligar para ele.
Mas é que tá no meio do jogo.
Mas ele não torce para este time.
Mas é que é a final da Libertadores.
E ele adora futebol.
Foi até na pelada.
Por isso que eu não liguei antes.
Melhor esperar pelo intervalo.
Chegou o intervalo.
Mas é que eu tava no telefone contando para ela que….
“Tenho um babado”
“Jura? Qual?”
“Não conta para ninguém”
“Tá, não conto. Juro”.
Ish que acabou o intervalo e eu não liguei.
Vou ligar.
Vai que ele não tá nem vendo o jogo.
Vai que tá.
E vai responder “a-ha. a-ha”.
“Tô atrapalhando você ver o jogo?”
“Tá não nega”
“Sabia que hoje eu fui atropelada por sete ratos gigantes na rua.”
“Ah foi? A-ha. Que bom linda.”
Melhor não.

Mas será que eu ligo?
Afinal, o jogo já tá definido. Ou não?
Não. Porque agora empatou.
O jogo vai pegar fogo.
O homem de cabelão já até levou cartão.
Vão dar chutes, socos, pontapés, tapas e garrafadas.
Mas nem é o time dele.
Será que eu ligo?
E se é empate ganha quem?
Será que eu ligo?
Porque tem uma pessoa na arquibancada segurando um cartaz “Japão aí vamos nós?”
Fim do segundo tempo.
Os de vermelho comemoram.

Será que tá tarde para ligar?
Mas e se… ele for do tipo que dorme bem cedinho?

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