A arte de deixar a escova de dentes na casa da pessoa amada

Você não sabe se ele está a fim. De vez em quando ele some. E reaparece. Dizem que foi visto no outro lado da cidade com uma nega em trajes salientes. “Ele só quer é me comer”. “E achas pouco?” , retruca assim um amigo nosso. Nem é. Mas à vezes queremos mais. Queremos escrever nossos nomes num tronquinho velho de uma árvore. Queremos fingir que seremos felizes para sempre até a chegada de netos. Ou pelo menos até o fim do mês. Queremos poder contar como foi nosso dia e ouvir do outro lado alguém dizendo que tudo vai dar certo. E também queremos luxúria e perdição, de segunda a segunda, inclusive aos sábados, domingos e feriados santos, sem precisar marcar hora.

Não é pedir muito.
Mas um dia você conclui que isso não vai é dar em nada. Só em sexo. O que – vá lá – não é pouca coisa.

A saída é flanar por outras freguesias. Mas eis que de repente…
…Ele se transforma no gatilho mais rápido do Oeste

E, quando você menos espera, lá está ela. Cerdas verticais que alcançam até o seu eu interior. Uma linda escova de dentes, a mais linda de todas. Mesmo que seja também a mais vagabunda, aquela de lojinha de parada de ônibus, aquela de cabo dobrável. Bem do lado da sua, no copinho do banheiro.
Bandeira branca amor.

É só correr para o amasso. Quer dizer, para o abraço.

PS: Dedicado ao Garoto do Capuz, rapaz de sorriso alvo e dentes fortes, cuja Oral B solitária ganhou, desde a noite de ontem, uma nova companhia.

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