Sofrimentos de uma fanática eleitoral

Por Nina Lemos

Não faço a menor idéia de que ano era aquele. Sei que faz muito tempo e que eu era uma criança pequena. Meus pais apoiavam a Heloneida Studart (uma feminista que hoje é do PT em quem voto vez ou outra por pura nostalgia). Meu tio apoiava a Sandra Cavalcanti (uma mulher que os meus pais diziam que já tinha tentado afogar uns mendigos em um Rio). Não lembro de tudo. Só de um trauma: eu com os meus santinhos da Heloneida sendo achincalhada na casa do meu tipo pró-afogadora de mendigos. Voltei pra casa chorando.

E aprendi que eu gostava de política. E também que isso causava dor, sofrimento, agressão e humilhação. Eu só não sabia que eu seria assim para sempre. E que sofreria (e brigaria com pessoas) em todo ano de eleição.

Uma seqüência interminável de choros:
O dia em que a emenda das Diretas não foi aprovada.
O dia em que o Tancredo morreu.
A vez em que o Collor ganhou.

E por aí vai.
Os anos passam. E quando olho, estou chorando por causa da ida do Alckimin para o segundo turno. Brigo com um amigo. Não consigo mais mudar de assunto.

Tenho medo do dia 29. Porque de uma coisa eu sei: se o PSDB ganhar eu vou chorar, chorar muito. E não vai ser de alegria. Vai ser de tristeza mesmo.

 

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