Sonhadores de segunda mão

“Dá-me sonhos teus para eu brincar” (Alberto Caeiro)
Desde ontem dei para acreditar no amor entre livros.
Caminhávamos entre as barraquinhas de antiguidade quando avistamos, entre uma Cruzeiro e a Enciclopédia do Pequeno Aprendiz completa e em estado perfeito, aquela capa de azul encardido e uma conhecida tipografia. Um exemplar de “O moço e seus problemas” , do Doutor Harold Shryock. Sadias diretrizes para o bem estar físico, psíquico e espiritual.

Fizemos como qualquer moça (e seus problemas), sorteando um trecho para brincar de oráculo. Abro na página 141, capítulo 14: “Sonhadores de segunda mão”.
“O escritor é pago pelos seus devaneios”, explica o médico, enquanto adverte aos jovens o perigo da leitura de ficção. “Uma questão da literatura imaginativa é o desperdício de tempo. E a vida, na melhor das hipóteses, é curta”.

E quanto tempo faz? Mais de dez anos. Ele apareceu lá em casa, fã de cinema marginal, cabelos brancos apesar dos vinte e poucos anos e um presente embrulhado em saco de supermercado. Uma edição da Casa Publicadora Brasileira, capa rosa encardida de “A moça e seus problemas”.

Logo estarão reunidos, finalmente, a moça e o moço. Com todos os seus problemas.
Juntos para sempre na estante lá de casa.

Pois a vida, na melhor das hipóteses, é curta.
(A Nina, pelo Pessoa e pelo domingo. A Remier, pelo “A Moça e seus Problemas”)

(Jô Hallack)

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