Metida? Eu?

A Adriana era a menina mais metida da escola. Nunca quis ser como ela. Cheguei a negar integrar a “turma da Adriana” e ganhar popularidade rápida na escola só porque eu achava que ela era metida, quer dizer, todo mundo achava, e eu não queria ser metida não.

Muitos anos se passam. E descubro que a moça aqui, carioca populista, virou a Adriana. Sim, eu tenho fama de metida. Faz-me rir. Mas também me preocupa.

Cuidado com os rótulos que os rótulos te pegam.

“Vocês são as mulheres que se vestem bem e são metidas”, diz um amigo para mim e para a Jô. Ta, essa parte de se vestir bem é legal. Agora. Metidas? Como assim? Continuo a enquête. “Ei, você me acha metida?”, pergunta para um cara da mesa. “Você é metida desde que nasceu”, ele diz.

Desisto de explicar para ele que não é verdade, que eu nunca quis fazer parte da turma da Adriana etc etc e passo a conviver com esse rótulo que pra mim é novo. Virei uma moça metida. Quem diria!!!

Será que terei que mudar de comportamento? E o que eu fiz para virar uma metida?

“Você não é metida. É psicanalisada”,diz X.

“É defesa”, explico para os caras da mesa, mas ninguém se convence. Então, ta. Eu sou metida. E estou pronta para entrar, 20 anos depois, para a turma da Adriana. Será que ela tá no Orkut?

(Nina Lemos)

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