O amor e a distância

Você sempre foi contra o amor interestadual. O amor interpaíses. Interplanetários. Contra não. Na verdade, nunca acreditou que eles pudessem sobreviver.
E aí você de repente você se depara com o seu amor. A 400 kms de distância!!!!
E dá-lhe telefonemas. SMS. MSN. O amor através das siglas.
E viagens. E um dia você está voltando do feriado de finados num ônibus da viação 1001. Está passando o filme “The Abyss”. É sobre um grupo de mergulhadores que se vê às voltas com uma entidade do fundo do mar. Ao lado, um homem chora. Está emocionado com o filme. Você resolve comer o lanche oferendado pela aviação. Amendoim sabor shoyu.
Daí o seu amor liga. Você fica com vergonha, afinal, tá todo mundo ouvindo sua conversa. Inclusive o homem emocionado. Pelo celular, ele diz que tá com saudades. Você disfarça. Fala: “Eu também”. As pessoas olham de canto de olho. Você se compara com uma mulher que falou no celular e chamou o interlocutor de BEBÊ. E se despede.
Pra logo depois começar a realmente acreditar no amor interestadual. Interplanetário. Do fundo do mar. E achar a autoviação 1001 no dia dos finados um programa tipo ótimo.

(Jô Hallack)

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