A grande angústia de fim de ano

Compro livros caros demais para a prima de nove anos. Resolvo, pela primeira vez desde que virei adulta, fazer eu própria os embrulhos dos presentes de Natal. Carrego um saco pesado de ração para gatos. Olho as imagens do aeroporto e penso nos amigos que tomaram a rota migratória. Sim, no verão os pássaros migram para o Norte, ou para o Sul, e a gente volta a viver junto em janeiro.

Preparo minha própria rota migratória para o Rio de Janeiro. Tenho vontade de chorar. Ouço Tom Waits e Iggy Pop. Começo a ter medo DELA. Ela é a síndrome da regressão natalina, doença que volta e meia me acomete. Basta eu encontrar a família reunida para me sentir criança ou adolescente de novo e lembrar dos tempos ruins. E isso dói.

E depois tem o ano novo, quando mais uma vez terei um pequeno surto de saudades. Não, não é de pretê . É do meu pai mesmo.

Sinto pena até dos meus gatos, de quem também sentirei saudades por três semanas. E as pessoas? Um foi pra Juazeiro, outro para Fortaleza, alguns vão para Porto Alegre.

É o meu primeiro dias de férias. E eu só consigo pensar NELA. A angústia de fim de ano que acomete todos os seres humanos do mundo. Deseje-me sorte.

(Nina Lemos)

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