Eu e meus amigos, os curiosos

Festa para ver aviões fazendo piruetas reunindo um multidão descontrolada. Tô dentro. Não posso faltar, aviões fazendo piruetas, engarrafamento, oportunidade única de ser pisoteada, afanada, de se perder. A guarda municipal calcula um monte de gente. Inclusive eu. Ih, mas não dá para ver nada. Dá sim, entre uma cabeça e outra, lá no fundo, uma asa do avião. Onde? Agora já passou. Que ótimo!

Onda gigante que vai chegar na cidade, parece que é um fenômeno, tem que até tomar cuidado para não ser levado, tem que ficar atrás da fita amarela da defesa civil, que a onda chega de madrugada, do tamanho de um prédio, uma coisa assim gigante, maior que tudo. Tem que ficar assim, na beira da calçada, disputando um lugar de honra para se molhar e – se der sorte –ser arrastado para sempre pela espuma.

Eclipse. Espetáculo único. Acontece uma vez a cada mil anos (embora a gente leia no jornal toda semana que está acontecendo uma). Se for do sol, tem que tomar cuidado porque senão fica cego, tem que arrumar um pedaço de filme, mas hoje em dia nem tem isso mais que caiu em desuso, que bom que é eclipse da lua, mas tem que esperar todo o eclipse, tipo umas três horas, que depois tem o fenômeno lua vermelha, parece que é uma coisa linda. Não, tem que esperar. E dai que está ficando frio?

Show popular. Tem que dar um livro para entrar. Fila enorme. Não pode esquecer do livro. Periga lotar e quando chegar na hora, você ter que voltar para casa, tudo bem, é para formar uma biblioteca (a pior biblioteca no mundo, já que as pessoas dão seus piores livros). E a banda é ótima, dizem que vai ser a primeira, mas se for a última, eu fico.

Reveillon em Copa. É tranqüilo, te juro!
Ir consultar astróloga em outra cidade. É logo ali.
Show de banda obscura que nem o próprio integrante ouviu falar. O importante é dar uma força.

Eu adoro uma roubada, Me chame para qualquer uma que eu vou. Eu sou aquelas pessoas que faz parte de legião “de curiosos” que sai correndo para ver a tocha olímpica passar, que corre atrás do caminhão da seleção, que freqüenta rodinhas de adivinhos no Largo da Carioca. Ou um fuzuê qualquer.
Me chama que eu vou!

PS: todos os eventos acima citados foram freqüentados pela minha pessoa. Se você souber de algum, me avise. Para segunda, já tenho compromisso (procissão em município próximo), mas já aviso que não costumo ir a enterros e vernissages de desconhecidos.

(por Jô Hallack)

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