O meu, o seu, o nosso horóscopo

Ela começou que nem todo mundo. Com o horóscopo o jornal. Todo dia, depois de ler a página policial (Crime passional no Grajaú) e a de fofocas das estrelas da TV (“Quero mais”, diz Jane Mara). Um dia ela acordou e resolveu que ia ler o horóscopo assim mesmo de jejum. Antes do café, antes da página policial, que por sinal estava ótima, e até mesmo antes das fofocas da TV, onde Jane Mara revelava que estava na pior das lamas.
Até que ela começou a ler o horóscopo do seu jornal e também o do outro jornal que ela não lia, nas ela deu para comprar porque o astrólogo era bom, falava coisas bonitas, palavra de alento e ainda o número do nativo no signo para jogar na loteria.
Foi quando ela começou a ler o horóscopo dele também. Puta merda. Ai ela ficou bem louca. Fazia uma ronda pelas bancas e lia tudo. O horóscopo dela, o dele, depois o ascendente, lua, em todo zodíaco, cruzando informações que talvez fizessem sentido. O dia não estava bom para assinar contratos. Semana confusa para o amor. Noita propícia a um novo encontro no campo do amor. Tinha dia que ela tinha certeza que ele ia ser largada e trocada por alguém nativo de outro signo. No outro, ela achava que era ela que ia dar um basta em tudo e ir embora.
Viciou.
Foi vista pela última vez numa banca de jornais estrangeiros.

(por Jô Hallack)

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