Do lado de cá da tela

A moça vive como se a vida fosse um seriado de TV. Toma muita champanhe e compra sapatos, assim como Carrie, a Estranha, ícone-chato de Sex and The City. Ela atua e conta seus dias em mesas de restaurantes caros como se cada episódio fosse fascinante. A audiência sente tédio.

Quem vive a vida como se fosse um seriado não sofre porque não vive de verdade.

Do lado de cá da tela, nós, as que temos ganas de vivir, sofremos de ressaca moral, confusão amorosa existencial, dormimos com o amigo e fugimos do inimigo. Contamos coisas que fizemos numa noite para amigas por telefone em tom de segredo. E elas, que também vivem do lado de cá das telas, entendem como ninguém nossas ressacas morais e não nos cobram nada. Apenas sabem que a gente precisa ficar um pouco só_ mesmo sendo sábado de noite_ para se recuperar do que fez. Muitas vezes começamos nossos telefonemas com a frase: “você não sabe o que eu fiz ontem” com uma certa timidez. Mas acabamos rindo, no fim.

A vida é bonita para quem desliga a TV e escolhe viver de verdade.

Mas dói.

(Por Nina Lemos)

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