A dor e a delícia de não contar mais tudo para todo mundo

Um dia todo o esforço da sua analista e os conselhos da sua mãe surtem efeito. E você decide que não vai mais sair por aí contando as coisas da sua vida na Internet, no MSN, na rua, no salão de beleza, na chuva, no carro de reportagem, na reunião de pauta. Finalmente você virou uma pessoa sábia.

E descobre que não tem mais sobre o que escrever no seu blog (o que causa uma crise criativa grave). E, pior, parece que as coisas vão simplesmente explodir dentro de você, que começa a ter vontade de pegar o telefone e ligar para uma amiga que não vê faz tempo para contar justo aquilo que decidiu só contar para cinco pessoas. No máximo, seis.

Outras conseqüências do ato, além de ter o coração parecendo que vai explodir e falta de inspiração para escrever, é alugar DEMAIS duas amigas, no máximo, três. Essas são as que foram eleitas como pessoas para quem você pode contar tudo. Essas, coitadas, têm que te aturar mais do que o necessário.

Mas sua amiga te ama. E entende que é, sim, ótimo, ter conseguido falar só de trabalho na reunião de trabalho. Mas, sem contar nada para ninguém, me diz, como é que se consegue dormir?

“Estamos com convulsão mental”, diz a amiga pelo telefone. E, juro, uma boa confissão para um desconhecido no café da firma talvez tivesse diminuído a loucura.

(Por Nina Lemos)

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