O gente boa

O gente boa
Ela vinha lá contando os atributos do rapaz. Inteligente, gato, fazia o tipo modelo, educado, corpo bacana. O sujeito tinha até emprego com carteira, tíquete refeição e – pasme!!!! – trabalhava com ecologia.

– Ah, me come, gostoso!
– Agora não, meu amor!! Tenho que lutar contra o aquecimento global !

Imagine a quantidade de mulher louca. Ou seja, ele era ecologista, simplesmente o novo super-herói do momento, inteligente, gato, mas isso eu já falei. E, ela, do outro lado do telefone, mais desanimada que um morto.
– É…. ele é gente boa.

Pronto, estava desfeito o mistério. Ele era gente boa. O pior atributo que pode ser dado a um homem. Por que ? Sim, por que?!!!! Por que minha nossa senhora das lamúrias!? Reclamamos quando eles são cafajestes, quando são chatos, são canalhas, traidores, burros e cafonas. Mas quando um sujeito é legal, ou seja, gente-boa, o que fazemos? Reclamamos. Sim, reclamamos. Mas sem achar que temos direito. Fingimos que achamos uma qualidade o que é, para nós, o pior defeito. Ser gente boa. Que é, em teoria, algo nobre. Uma pessoa correta, confiável, amiga.

Somos ridículas, porque não temos ao menos a coragem de assumir o nosso repúdio ao gente boa. E gritar bem alto.
“O cara é um merda de um gente-boa!!!!”

E lá vai o gente boa pela vida, vagando simpático pelos ônibus à espera de uma garota menos luxenta que lhe dê seu coração. E todo o resto.
– Vem, agora de quatro!
– Depois querida! Os cetáceos me chamam!

(por Jô Hallack)

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