A drenagem e a greve

9h30 da manhã. Você está indo para a drenagem. Drenagem e máscara de lama miraculosa, que reduz sua pança na hora. Você está super contando esse resultado imediato para diminuir uns centímetros. Dai, quando você se aproxima do prédio da massagista percebe algo de estranho: carros de som, pessoas aglomeradas gritando. Uma greve! Interrompendo seu caminho da drenagem!

Os metalúrgicos querem aumento. Um aumento real, eles gritam. E você parada no trânsito. Você sem conseguir vaga. E sua drenagem indo embora…quando você finalmente consegue parar, se dá conta que vai ter que passar por 8 mil metalúrgicos em greve para chegar até a entrada no prédio! É muita peruice para uma pessoa só. Você quase fica com ódio dos grevistas, mas rapidamente consegue passar entre os companheiros.

Na drenagem, uma outra mulher comenta: “Democracia demais dá nisso!”. Você fica culpada por não estar lá embaixo com os grevistas, pedindo 20% de aumento.

Daí se lembra da última manisfestação que participou, há mais de uma década. Era a favor da descriminização do aborto, na praia de ipanema. Umas feministas gritavam e pediam assinaturas para mandar para o congresso. Um carro de som tocava músicas. Você queria impressionar um pretê. Resolveu pedir para o carro de som tocar uma fitinha que ele tinha feito pra você. Falou pras feministas que era músicas de protestos de mulheres. Mesmo sendo músicas de amor.

Velhos tempos em que você era politizada. E não precisava fazer drenagem.

(por Raq Affonso)

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