Eu vou tirar meu nome do SPC

_ Olha, tem um protesto contra você aqui.

Quando a mulher do banco disse isso, entrei em estado de pânico. Não só eu não tiraria uma porcaria de um cartão de banco internacional como também não faria a sonhada viagem internacional. Todo o meu dinheiro seria usado para pagar uma dívida.

_ É um protesto de R$ 17, mas você tem que ir ao Serasa para descobrir da onde vem.

Ok. Depois de saber que eu estava com o nome sujo na praça, mas por causa de 17 reais, nem liguei.

Muitos dias depois tomei coragem e fui ao Serasa. Eu e outros devedores esperamos em uma fila organizadíssima, em um prédio no Viaduto do Chá. Em baixo tem uma daquelas empresas do mal que emprestam dinheiro e depois cobram juros altíssimos e destroem as pessoas. No mesmo prédio. Eu juro.

Saí do Serasa com o endereço de um cartório. Lá eu descobriria, afinal, quem tinha “botado meu nome no SPC” por causa da enorme quantia de R$17.

Fila no cartório. Recebo um papel onde está escrito. Apresentante: “Premio Com de Máquina AP e Equipamentos Eletrônicos.” Não sei o que é AP, copiei exatamente como estava no papel. Bem, será que eu comprei algum eletrodoméstico e não paguei? Mas que eletrodoméstico custa R$ 17?

Estava escrito no papel também que o endossante era uma tal de Center Beer Comercial de Bebidas.

Ok. Eu já não entendia mais nada. Apenas que eu precisava pagar naquele dia mesmo R$17 e tirar meu nome do SPC, do Cerasa, de qualquer lugar. Deram o endereço de um prédio. Era um local sinistro, sem a menor cara de sucursal das lojas Bahia. Um prédio meio abandonado. Medo. Mas tudo bem. “Eu preciso tirar o meu nome do SPC”.

Quando cheguei, a moça me dissse que a empresa onde eu estava não era uma loja de eletrodomésticos, mas um escritório de cobrança.

E eis que aparece um homem com um cheque ASSINADO POR MIM!! Um cheque assinado em 1997! Sim, dez anos atrás. Eu juro. Para uma empresa de COMÉRCIO DE BEBIDAS.

Detalhe: eu não bebo.

Mas a Jô deve estar certa. Talvez eu tenha uma personalidade B que acorda de noite e vaga por aí contraindo dívidas de R$ 17 com…. fornecedores de bebidas. Para quem será que eu paguei umas cerveja sem 1997, heim? Será que eu passei por toda essa epopéia por causa de algum homem que eu nem sei mais se existe?

(Por Nina Lemos)

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