Pomba gira ao contrário

-Olha aquele menino ali. Gato,não?

-Eu acho que você devia paquerar aquele!

Ela quase grita: “eu não quero paquerar ninguém!”. Os amigos não acreditam muito. E continuam apontano no clube para rapazes que provavelmente ela nunca será capaz de amar. Mas espera aí. Quem foi mesmo que falou em amor? Não, não precisa amar. Mas, putz. Para qualquer coisa é preciso conversar. E conversar sobre o que com essas pessoas? Vai, pode ser sem conversa também. Joga um charme, vai. Mas, putz. Acordar do lado de um desconhecido, não quero. Quem disse que precisa acordar com a pessoa. Não, não precisa. Mas, putz. Alguma coisa eu vou ter que conversar com ela. Nem que seja pouca coisa. E quase grita de novo, começando a ficar seriamente irritada com os amigos que oferecem pretendentes: EU NÃO ESTOU AFIM DE PAQUERAR NINGUÉM.

Estranho que isso não seja uma coisa simples de entender. Muito estranho. No mundo dela, essa noite, pelo menos, isso é uma coisa tão óbvia.

É isso. Tem vezes que baixa uma pomba gira ao contrário.

(Nina Lemos)

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