Alguém chama o Reverendo Moon

Dizem que é o carnaval. Mas eu discordo. A verdadeira festa do diabo é o reveillon. Afinal, a gente já devia desconfiar de uma festa que se escreve assim.

Estamos em novembro, mas a população mundial já foi acometida pela neura “onde é que você vai passar o reveillon”. É assim: alguém te faz esta pergunta e, prontamente, você deve responder algo incrível.
– Fui convidada para uma festa numa cobertura de ricos na Avenida Atlântica, que terá ecstasy e depois uma orgia.
– Vou para uma praia no nordeste que você nunca ouviu falar, pois só eu e os antenados sabemos da existência deste lugar, e terá uma festa com orgia e ecstasy.
– Irei para um destino internacional luxurioso. Buenos Aires não vale, pois é coisa de pobre.

Sinceramente, eu prefiro o Natal que, neste sentido, é mais democrático. Natal é igual para todo mundo: uma merda. Você vai a uma festa de família, seus entes queridos bebem e trocam acusações horríveis Você fica deprimida, ainda ganha uma meia e termina a noite chorando no escuro sozinha. Quer dizer, ainda existem famílias que comemoram o Natal à moda antiga, inclusive com um tio fazendo o papel de Papai Noel. Mas elas são minoria e vintage.

Já o Reveillon…Depois de escolher uma das três opções já citadas, é preciso anunciar que você já comprou a passagem e se o seu amigo não comprou, você terá que alardear que “ele tem que correr pois a essa altura do campeonato, todos os vôos já estão lotados e ele terá que ir de BRA”. Se possível, humilhe seus amigos falando que tirou a passagem na milhagem.

Isso porque ainda não abordei a situação conjugal. Se você tem namorado, ish! Desista de ter qualquer paz de espírito pois o posicionamento da Terra nesta época faz com que estranhas energias pairem sobre nosso planeta, dando origem à SNB. A Síndrome do Namorado Babaca. Pergunte por aí. Toda amiga tem pelo menos uma história macabra envolvendo namorado e reveillon. Ser expulsa da casa de praia, passar o ano novo no quarto aos prantos lendo o livro do A.A. enquanto o namorado alcoólatra tem uma recaída, ser proibida pelo sujeito de ir passar o reveillon no mesmo trecho da orla são alguns dos casos relatados.
Se você não tem namorado e tem um caso, isso vai ser um drama extra. Este assunto será um tabu e você ficará torcendo (sem a menor dignidade interior) para ele te convidar. Quando for lá pelo dia 20 e ele anunciar que está indo para o Sri Lanka com um grupo de primas louras e peitudas que surfam, você entrará em desespero e tentará viajar para QUALQUER lugar. Conseguirá apenas uma vaga num pacote em Porto Seguro e, mesmo assim, indo de ônibus nestas excursões que tem guia que anima o grupo com um microfone. Se você não tem namorado nem caso, a sua estupidez fará você viajar com um grupo de casais que, na meia-noite, vão se beijar e jurar amor. E você ficará olhando para o além até que aquela cena acabe e alguém te dê um abraço. Quando você achar que o pior já passou, algum idiota vai lembrar que estamos no horário de verão e irá comemorar a data de novo uma hora da manhã.

Sem falar no momento de “desejar tudo de bom” para pessoas que você acabou de conhecer. Não tenho nada contra passantes, inclusive sou a favor até de sexo com os passantes. Mas desejar “tudo de bom” é de um cinismo que, sinceramente, eu fico constrangida.

Você acha que acabou? E o drama da roupa? Sempre igual: você vai fingir que não liga para isso e vai surtar na véspera, comprando um vestido de viscose cafona com um cheque pré para fevereiro. Ou seja: seu arrependimento irá perdurar por um mês.

Gente, alguém conhece uma seita que combinou um suicídio coletivo ainda este ano? Se souber, e-mails para redação, por gentileza.

(por Jô Hallack)

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