Mulher ao mar

Boas deviam ser as despedidas nos portos, portos com marinheiros, portos com botes, coletes salva-vidas, tudo ali pronto. Para casos de afogamento no mar de lágrimas.
As despedidas em aeroporto são mais civilizadas.
– Meu amor, pensa em mim quando comer a barrinha de cereal.
Pode faltar coragem para isso. Então, é aquele adeus comportado na saída do prédio e depois só o porteiro fica vendo o nosso choro pela câmera indiscreta do elevador.
Não podemos mais correr pelos saguões em desespero. Ninguém mais corre pela plataforma do trem. Onde se descabelam as mulheres no reino da escova progressiva?
A gente engole o choro. E se afoga por dentro.
Maidei, maidei. I love you, I love you.

(por Jô Hallack)

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