Enquanto isso, no presídio…

Mãe, sou eu. Sou eu, eles me pegaram

Ela atende o telefone no meio da noite e se apavora.
– Eles me pegaram mãe
– Meu deus…. meu deus…
– Mãe, me ajuda
– Eles te pegaram!

Até que a ficha cai

– Calma aí . Eu não tenho filho!
– Mãe, mãe….
– Vai se fuder, eu não tenho filho!!!
– Você que vai se fuder. Vou te pegar, tu vai acordar morta.
– Vai me pegar? Eu quero que você se foda seu filho da puta, seu escroto
– Vai se fuder piranha!
– Mas eu queria….
-Queria se fuder, piranha escrota!?
– Eu queria ter, eu queria ter filho. Porque eu não tenho filho? Até as pessoas feias do meu trabalho têm filhos. Têm filhos e marido!
– Quê?

E o que seria apenas uma chantagem originada em um presídio se transforma num draminha existencial.

– Eu tentei com o Rodolfo. A gente se amava…
– Olha só, minha senhora, vou ter que desligar….
– … O Rodolfo daria um ótimo pai… Ele era um amor de pessoa, sabe. Você ainda tá aí?

(por Jô Hallack)

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