Crise clichê

Saio do trabalho e lembro que preciso ir ao supermercado. Faço algumas compras. Volto para casa. Ligo a TV. E me toco. Putz, que vida mais ordinária! Tá, poderia ser pior. Sempre poderia ser pior. Mas Fernando Pessoa tem razão: “não se pode exigir, almas honestas com hora para comer e para dormir”. Que vidinha besta, Nina Lemos.

Sim, sim, sim. É um sentimento normal de volta de férias, repito para mim mesma com insistência. E continuo meu projeto de auto-ajuda olhando em volta e pensando: “todos eles devem sentir a mesma coisa, todos.”

E desde quando saber que todo mundo sente a mesma coisa conforta? Sei lá. Desde o dia em que a minha analista me disse que todo mundo se sentia oprimido no saguão do Aeroporto de Congonhas no meio do caos aéreo. Desde quando eu percebi o quanto eu era narcisista.

Mas saber disso tudo não adianta nada (e quem disse que eu sei? Vai ver todo mundo está feliz da vida na firma, na rua, na fila do supermercado). Não importa. Sou o clichê da humanidade. Uma pessoa em crise porque voltou de férias. Pareço a personagem de um sitcom. Daqueles bem sem graça.

(Nina Lemos)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s