O homem da poltrona ao lado

Outro dia uma amiga chegou na minha casa bem empolgada. Voltava de uma viagem de trabalho e tinha conhecido um Homem da Poltrona ao Lado. Um cara dos sonhos. Uma espécie de arquiteto especialista só em coisas ecologicamente corretas (e ela é toda zen). Um tipo de amante da natureza e do bom gosto ao mesmo tempo,tudo sem ser pedante. E nem era moleque não! O homem da poltrona ao lado tinha seus 40 anos e, claro, além de merecer o prêmio nobel da paz da arquitetura ecologicamente correta, era lindo. Ela se lamentava por não ter pego o telefone dele.

Dia desses foi a minha vez. Na poltrona ao lado tinha um loiro bonitinho que passou a infância em uma ilha da alemanha oriental. Uma espécie de Robinson Crusoé com infância comunista. Lindo, claro. E lido. Leu o tempo todo. Até durante as turbulências mais graves, momentos em que pensei em segurar a sua mão e pedir consolo. Também não peguei o telefone da minha mistura de Robinson Crusoé com Nick Cave e Che.

Mas eu e minha amiga não podemos nos lamentar.

Os Homens da Poltrona ao Lado são uma ilusão. Eles não existem na vida real. Só estão ali, vivos, ao nosso lado, conforme a duraçào do vôo ou da viagem de ônibus. Conheci o Nick Cave da Ilha em uma ponte aérea. Ou seja, gente perfeita existe. Mas só por 45 minutos. Depois, eles desaparecem no espaço. Sim, o Homem da Poltrona ao Lado provavelmente não passa de uma holografia… Mas valem mais que uma cadeira vazia.

(Por Nina Lemos)

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