Resignação do pós-operatório

Cada um tem a sua cruz para segurar. Meio catastrófico, mas geralmente é assim que a vida é. Uns tem problemas sentimentais, outros físicos, outros financeiros. E alguns têm todos esses problemas juntos! Depois de um tempo, você consegue fingir que tem controle sob sua vida e é uma pessoa madura. Daí tenta, por exemplo, tirar os problemas emocionais da frente. Quase nunca dá certo, mas pelo menos você pode dizer que tentou.

Mas voltando às cruzes. Caso você tenha uma cruz no campo da saúde, daí sim, sua vida pode ficar um pouco infortuniosa. Esperamos que não seja nada sério e tenha cura. No meu caso, a cruz se localiza no joelho direito, que já passou por três cirurgias, a última na semana passada.

A cirurgia não é nada demais, ainda mais com as novas técnicas de morfina via intravenosa. O pior mesmo, é o pós-operatório. Você, com o joelho todo costurado, sem andar, tendo que fazer compressas de gelo o tempo todo. Mas o pior mesmo, é ter paciência para dar boletim médico para todos: família, amigos e passantes. Afinal, o pós-operatório é demorado, dolorido e devagar. E repassar uma terrível operação dessas múltiplas vezes, é infernal.

Mas você se resigna, afinal, sabe que tudo é apenas o amor e a preocupação das pessoas. E você fala pela milionésima vez sobre as técnicas de anestesia. E vai fazer mais uma compressa e rezar pra na próxima encarnação, sua cruz ser um pouco menos dolorida.

(por Raq Affonso)

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