O pequeno construtor

O termo foi dito outro dia pela amiga N.”Que preguiça que eu tenho desses pequenos contrutores”, ela me disse.

O Pequeno Construtor tem mais de 30 anos, mas ainda vive o fervor da juventude. Calma. Estou falando da imbecilidade juvenil bem moderna e meio americanizada. Aquela que faz com que as pessoas achem que vão ser jovens para sempre e nunca vão morrer. Logo,logo ele chega aos 40, mas, provavelmente, não vai perceber. Claro, ele é um designer talentoso, que precisa conquistar o mundo. E lá vai o Pequeno Construtor não fazer revolução nenhuma na hora em que chegar ao topo e tiver vários clientes ricos na cartela do seu escritório de design. Preguiça.

Um Pequeno Construtor não sofre. Nada de dramas. A vida é uma coisa prática. Ele tem que vencer no mundo capitalista. Mas, epa! O Pequeno Construtor, que provavelmente é filho de um capitalista, nem sabe que a gente vive em uma sociedade capitalista. E provavelmente se assusta quando escuta alguém falar algo que inclua esse termo. “Capitalismo? Nossa, que engraçado alguém que usa essa palavra”.

Engraçado mesmo, Pequeno Construtor ou… jovem capitalista. Vamos lá. Como um P.C trata uma menina… Mal, claro. Lembre, ele não sofre. Ele só quer conquistar o mundo. E as minas fazem parte do seu pacote. E com seu jeito de jovem eterno… bem, ele até que deve pegar algumas. Mas algo me diz que o P.E é solitário pra caramba mas, assim como esquece que existe capitalismo, também esquece que existe solidão. Claro, ele precisa acordar cedo e fazer sociais para conquistar o mundo, postos, lugares de destaque no mundo dos designers. Ele precisa CONSTRUIR. Não tem tempo para metafísicas.

Crise? Isso é uma coisa que náo existe para um Pequeno Construtor. A náo ser crise de trabalho. Mesmo assim, é uma crise de superficialidade absoluta. Do estilo: “perdi meu cliente para outro escritório”. Claro, ele é competitivo. Um verdadeiro monstrinho da competição. Mas ele absolve a culpa (será que essa palavra ele conhece?) reciclcando lixo e pensando em manifestos contra o consumo, mas nada radical, espera lá! Um manifesto contra consumo pensando, assim, em consciência ambiental, uma coisa light, bonita, moderna. Esse é o máximo onde ele chega, ele, o Pequeno Construtor. Ele, que é raso como uma piscina infantil.

Um tipo normal de gente, esse Pequeno Construtor. Bem normal. Pode ser visto por aí em festinhas descoladinhas, bem vestido, bonitinho. E sem lastro, sem sofrimento, sem um mínimo de sofrimento que enobrece e faz dos homens seres quase divinos (ai, Nick Cave, amém Johnny Cash).

O mundo seria um lugar muito chato se só existissem jovens empreendedores nele. Mas existe outro tipo de gente. Amém. Aleluia! Como eu amo meus amigos homens que sabem sofrer,viver de verdade e honrar as rugas de seus rostos. Oh, meus amores. Isso, sim, é amor. Coisa que um Pequeno Construtor talvez não saiba…. construir. Mas isso é [problema deles. Não é nosso. Que se virem.

(Nina Lemos)

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