A analista de Bagé

Sinceramente, não sei como isso começou. Não lembro se no pré-primário os coleguinhas me procuravam e diziam: “então, Nina, vamos ali tomar um café que eu to superangustiadp.” É um mistério. Mas sei que sem diploma de psicologia nem carta da Sociedade Brasileira de Psicanálise, hoje tenho uma carteira boa de pacientes. São amigos mais novos, amigos mais da minha idade e, pasmem, até ex namorados.

Eu sei que isso é completamente anti-ético! Eu não posso ser analista de um ex namorado, gente! Mas eu sou a analista de Bagé, a psicanalista de botequim. E algo me diz que segundo a ética da psicologia, a gente não pode negar atendimento para quem precisa. E lá vou eu atender o ex namorado na padaria do lado de casa na hora do rush!

Já fiz atendimentos em clubes noturnos, na praia, no campo, na fazenda, na casinha de sapê e no MSN. E ele, o ex namorado, ainda olha para mim e diz: “você é muito boa nisso de fazer as pessoas se sentirem melhor, né?” Nossa, mas que responsabilidade, meu deus!

Tem vezes em que eu penso em fechar meu consultório. Sério. Isso porque nem sempre eu dou conta dos meus problemas e loucuras. Mas eles insistem, batem na porta, telefonam, chamam para falar no MSN.

Será que a Sociedade Brasileira de Psicanálise poderia fazer o favor de caçar o diploma de psicanálise que eu nem tenho?

PS. Não, não. De vocês, que sabem quem são, eu não sou psicanalista. Sou, amiga, pretê etc etc etc. E o que a gente faz é troca. Que fique claro, meus amores.

(Nina Lemos)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s