Culpa de mãe

Quinta-feira à noite. Trânsito recorde em São Paulo. Você sai exausta e esfomeada do trabalho. No caminho, se lembra da reunião na escola do filho. O professor de educação corporal vai falar.

Você entra em pânico. Tudo o que não quer é ir direto do trabalho pra uma reunião com pais preocupados com a educação corporal de crianças de três anos. Se elas andarem normalmente tá bom pra você, não precisa ter educação corporal. Daí seu pretê dá a deixa: “Não vai. Desencana”.

“Sim, não vou”. Oba, não vou!!! “Mas você não vai ficar com culpa?”, ele pergunta. Eu penso. Lógico que vou. Óbvio que vou. Claro que vou. Depois penso melhor: a verdade, é que mãe já nasce com culpa. Na hora em que o bebê nasce, já nasce junto uma super culpa, que melhora ou piora de acordo com as situações.

E depois de assumir essa culpa inerente, tudo fica mais fácil. E vai ser difícil eu voltar em alguma reunião de pais.

(por Raq Affonso)

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