Brigadeiro Mágico

Eu e o amigo A tínhamos uma conversa muito cabeça, séria, e angustiante no meio da festa. A gente falava de crise dos 40, velhice, casa própria, liberdade e Phillip Roth. Até que ofereceram um brigadeiro. Cada um pegou um e enfiou na boca.

O amigo A., como eu, não bebe e não se droga. Ficamos ali no canto, com a nossa conversa pesada, até que eu não suportei tanto peso e fui dar uma volta. Foi quando ouvi. “To muito louca por causa daquele brigadeiro.” “Como assim?”

Sim, as mães sempre falam que a gente não deve tomar bebida do copo dos outros. Mas isso era quando a gente era adolescente. Agora somos adultos conversando sobre crise dos 40. E elas nunca tinham nos alertado sobre brigadeiros.

“Será que bateu?”, pergunta o amigo A. “Claro que não, é psicológico, relaxa.” “Eu to achando o chão meio molinho e to andando meio moon walking. Será que isso significa que bateu?”, ele diz.

Concluímos que tinha batido quando percebemos que não tínhamos mais a conversa depressiva. Na verdade, estávamos rindo muito e felizes.

Mas eu só vi que estava realmente maluca quando lembrei que tinha mandado um sms de madrugada para a minha mãe contando do tal brigadeiro. Em algum momento me pareceu que ela acharia aquilo tudo muito engraçado.

Ou seja. Pirei. Crise de idade? Imagina, passa outro brigadeiro aí. “Abrindo as tortas e as cucas”

(Nina Lemos)

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