Compensações

A Natureza é sabia e deus, quando pôs toda essa gente no mundo, percebeu que seria mais do que justo criar uma lei das compensações. Por exemplo: não existe mulher totalmente bonita. Toda mulher muito bonita geralmente tem um defeito qualquer, que vem inconvenientemente estragar sua beleza. E não estou falando de inteligência, conheço mulheres lindíssimas e candidatas a Prêmio Nobel de qualquer coisa. Estou falando de um imperfeição física mesmo. Tipo um joanete. Compensações.

Um outro caso: você se enrabichou por um sujeito e ele bebe. Não é um caso para alcoólicos anônimos. Mas ele gosta de beber com os amigos. De fazer uma farra. De inventar uma saideira. E a saideira não acaba nunca. E ele diz que é só mais um chope. E que o próximo ele vai dividir com o santo. E a noite avança. Aí você desiste: pega a sua bolsa, a chave do carro ou o dinheiro do táxi, e volta para o ninho de amor. Sozinha, claro. Porque homem, quando tem que escolher entre a mulher e a farra com os amigos, geralmente opta pela segunda opção. E nem adianta ela ser muito bonita, uma deusa. Lembre-se: ela tem um joanete!

Pois então você vai para casa sozinha e o nego… nada. Até que o dia raia e ele aparece. Bêbado, com uma cara de safado, dizendo que dormiu no ônibus, geralmente jurando amor e pedindo uma Nesaldina. Deita na cama, cheirando a cachaça, te abraça e desmaia.. E você pensa: eu não mereço. Tem dias que você pode até achar meio romântico, o seu amor boêmio. Mas isso só dura até ele começar a roncar do seu lado. Pois é aí que entra a Lei da Compensação que, neste caso, surge no dia seguinte.

Pois quando o sujeito acorda, naquela ressaca, vem logo te chamando de meu-amor-minha-nega. Você pensa: lá vem ele de novo com esse tesão de ressaca. Existe até uma explicação biológica, os níveis de testosterona de manhã, a bexiga cheia que facilita a ereção. Talvez tenha até algo a ver com o órgão que tem – na minha opinião – o melhor nome, disparado: o corpo cavernoso. Pois pode até ser por causa do corpo cavernoso, o fato é que ele acorda cheio de amor para dar, dizendo que te ama, que nunca existiu mulher como Gilda, e vem cá minha pequena, vem para eu te mostrar todas as posições do Kama Sutra, olha só o que eu faço com você, te satisfazendo de todos as maneiras. E quando você tomba, exausta, ele ainda declama um soneto do Vinícius.

E você, que dormiu tiririca e foi acordada às sete da manhã por um sujeito com bafo de Pitu, pensa: eu sou a mulher mais feliz do mundo.

(Jô Hallack)

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