Um sarrinho não dói

Você, cara amiga leitora, com certeza já foi sarrada. Naquele ônibus cheio, num baile de carnaval, alguém foi e pronto: passou a mão na sua bunda. Ops! Pode até ter sido mais safadeza, hora do rush e, de repente, aquele sujeito sem vergonha encostou em você. Dá para sentir o seu pau rígido contra o seu corpo, todas nós já passamos por isso. E pronto.

A televisão ligada na mesa redonda de segunda feira, com o rabo do olho vejo os mesmos comentaristas de sempre fazendo os mesmos comentários de sempre. Até que um grande tema sacode o programa. Um jogador foi sarrado em pleno campo, no Grêmio Botafogo. O juiz não estava olhando, o botafoguense Carlos Alberto foi lá e… ops! Passou a mão na bunda do adversário enquanto o juiz não estava olhando. Um denguinho, uma coisa rápida. As câmeras de televisão mostraram a patolada para todos, com direto à câmera lenta.

O mais bizarro foi a revolta generalizada com o ato. Para os comentaristas, aquilo era o fim da picada. Pior até que uma falta grave, pior do que um carrinho, pior do que provocar uma fratura exposta, pior do que furar os dois olhos usando os dedos, pior do que dar uma cotovelada no crânio, pior do que esconder uma peixeira no calção e esfaquear o juiz, pior do que chamar a mãe de meretriz, pior do que pisar no joelho recém-operado do adversário, pior do que aleijar o colega.

Eles, os senhores comentaristas, queriam uma atitude severa da lei futebolística. Para que fatos como aqueles não se repetissem. Minha nossa, que exagero, só por causa de um sarrinho.

(Jô Hallack)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s