A volta

Tem dias que ela aparece sem avisar, de malas feitas na porta da sua casa:
– Voltei.

Você tenta botá-la para fora, que nem quando a gente faz com visita que não quer que fique, diz que o café acabou, que está ocupada não pode dar atenção.
Mas ela é de casa. Você não precisa se preocupar, nem levar ao cinema ao parque, visitar o Pão de Açúcar, tira retrato para o foto-prato, nada disso, nem mesmo avisar onde guardam os talheres que, ela sabe, ficam na primeira gaveta.

– Voltei, voltei – diz ela, botando a mão por debaixo da sua camisola.

Tem dias que a tristeza aparece e sopra assim no seu ouvido:

– Lembra como era bom?

(Jô Hallack)

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