Duelo com a depiladora

Acontece todos os anos. Chega o verão. E com ele, a vontade (não. não é necessidade) de depilar a virilha para colocar um biquini sem pêlos saindo do lado. Antes de tudo. Depilar a virilha dói. Dói pra caramba. É horrível. Mas além da dor, é preciso se preparar para o debate ideológico com a depiladora.

Um aparte. Eu entendo a depiladora. Se o meu trabalho fosse depilar virilhas, eu também acharia uma loucura alguém só fazer isso uma vez por ano. A virilha sem pentelhos é mais que o trabalho, é quase a ideologia da moça que me pega de jeito. E eu entendo isso de verdade. É sério.

Por isso, fico quieta. Mas uma hora sempre começa. “Ah, você devia fazer isso mais vezes”. O olhar para mim é sério, bravo. E continua: “a mulher precisa fazer isso para se sentir mais cuidada”. Continuo em silêncio. Quer dizer, nessa hora eu digo: “não, não precisa”. E sinto minha dor com a resignação dos incoerentes.

E não, eu não sigo moda com os meus pêlos púbicos. E isso é, sim, quase uma questão ideológica. E os homens? E desde quando eu transo com alguém que repara nessas coisas? Eu não.

E nada contra os que reparam, as que depilam tudo ou as que se amarram em uma virilha cavada. Cada um é de um jeito. Aprendi isso faz muito tempo. Só não me acostumo mesmo é com patrulha ideológica. E nem com o “todo mundo ter que ser assim porque disseram que é para ser assim”. Nunca.

(Por Nina Lemos)

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